CSN arremata Vale com ágio de 19,98%
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terça-feira, 06 de maio de 1997
Agência Folha do Rio de Janeiro 
O consórcio Brasil, liderado pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) é o novo acionista controlador da Companhia Vale do Rio Doce. A União vendeu 41,73% das ações com direito a voto da estatal por R$ 3.338.178.240,00. O leilão ficou interrompido por mais de cinco horas, por causa de duas liminares da Justiça Federal, que acabaram cassadas no final do dia. E seu resultado está sendo questionado na Justiça por outra medida liminar.
A Vale foi privatizada com um ágio de 19,99% em relação ao valor mínimo fixado pelo governo. Cada ação foi vendida por R$ 32,00, contra um preço mínimo de R$ 26,67.
O embate entre os consórcios Valecom (liderado pelo grupo Votorantim) e Brasil pela compra do controle da acionário da Vale do Rio Doce começou às 12h11, quando o consórcio da Votorantim fez o primeiro lance, ao preço mínimo de R$ 26,67 por ação.
Sete minutos depois, quando as ações em disputa já valiam R$ 3,15 bilhões, o leilão foi interrompido por uma liminar da Justiça Federal do Rio. A disputa só recomeçou às 17h42 e chegou ao final em apenas três minutos. O último lance, do Consórcio Brasil, foi dado às 17h45 e o leiloeiro bateu o martelo às 17h47.
Temendo uma liminar de última hora, o leiloeiro informou que o bater do martelo feito posteriormente pelo ministro Antônio Kandir, pelo vice-presidente do BNDES José Pio Borges e pelo presidente da Bolsa Fernando Opitz era apenas para registro dos jornalistas, pois o leilão estava oficialmente encerrado.
Pela voracidade dos dois competidores na abertura do leilão, imaginava-se uma disputa ainda maior. No primeiro minuto, houve seis lances, com o preço subindo R$ 0,01 por vez. Cada centavo a mais significava um acréscimo de R$ 1 milhão no preço da Vale. Percebendo o grande interesse dos dois concorrentes, o leiloeiro da Bolsa do Rio, Alexandre Runtes, aumentou os lances para R$ 0,05, R$ 0,10 e R$ 0,20 por ação, sucessivamente, para acelerar o processo.
Às 12h18, quando o ágio já chegava a R$ 368,2 milhões (13,23%) sobre o preço mínimo de R$ 2,782 bilhões fixado, o oficial de Justiça José Ronaldo de Jesus Silva atravessou o pregão brandindo a liminar da juíza Salete Maccaloz, da 7ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que ordenava a suspensão do leilão. Imediatamente, instalou-se a confusão. A ação civil pública que interrompeu o leilão foi movida pela Aval (Associação dos Funcionários da Vale do Rio Doce), com argumentos já utilizados em outras ações.
Entre eles estava a suposta necessidade de uma licitação em separado para as ferrovias da estatal, descumprimento da lei de licitações (8.666/93) pelo BNDES e supostas ligações entre Merril Lynch - uma das empresas que
avaliaram a Vale - e a sul-africana Anglo American, uma das compradoras. O vice-presidente da Vale, Anastácio Fernandes Filho, que estava no pregão, disse que desconhecia a ação dos empregados e que a Aval é uma das muitas entidades constituídas pelos empregados.
Surpresa agradável - O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, disse ontem que o resultado final do leilão de privatização da Vale do Rio Doce deixou o governo agradavelmente surpreso. Superou a melhor das nossas expectativas, afirmou.
Segundo Kandir, o ágio em reais sobre o preço mínimo da empresa foi o maior de todo o programa de desestatização: R$ 557 milhões. Nós criamos as condições para que houvesse uma disputa importante, disse. Segundo Kandir, em um leilão de privatização é mais relevante o ágio em valor do que o percentual, que foi 19,99%. O maior ágio em dinheiro, até então, havia sido no leilão da Açominas, com R$ 268 milhões (o dobro do preço mínimo).
Kandir disse que o preço por ação, extrapolado para a totalidade das ações da Vale, faria com que o valor de venda da Vale do Rio Doce ficasse em R$ 12,431 bilhões, enquanto o preço mínimo era de R$ 10,361 bilhões. O ministro disse ainda que queria transmitir a satisfação do governo Fernando Henrique com a realização do leilão, afirmando que a Vale tinha limitações do ponto de vista operacional por ser uma empresa pública.


