O mercado de cruzeiros marítimos chegou ao limite de sua capacidade no País. Não pela falta de interesse das operadoras ou turistas, mas sim pela infraestrutura dos terminais. De acordo com a Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar), o sistema está esgotado por não haver investimentos nos portos.
Segundo a Abremar, o mercado brasileiro cresce na média de 33% ao ano, mas se ressente de bases sólidas para comportar demanda adicional. Dos 40 portos de escala, apenas seis têm estrutura para grandes embarcações. A Associação aponta que o Brasil ocupa a 123 posição entre 134 países no ranking de qualidade dos portos, conforme a Fundação Dom Cabral e o Fórum Econômico Mundial.
Os portos são um imperativo urgente para impedir que o Brasil deixe de ser considerado como um destino inviável para este tipo de turismo, considera a Abremar. A expectativa da Associação é que na temporada 2011/2012, 894.833 cruzeiristas aproveitem os 386 roteiros que serão realizados no País com 17 navios. A temporada 2010/2011 somou 414 cruzeiros, 20 navios e 792.752 passageiros. Embora o número de cruzeiros tenha diminuído, a quantidade de turistas bateu recorde, com crescimento de 1,6% no comparativo com a temporada anterior.
Em relação a 2010, a demanda por este tipo de passeio para o final do ano subiu 20% na Albatroz Turismo, de Londrina. No entanto, o aumento foi menor que para outros tipos de viagens e destinos, que ultrapassaram 32%. ''Os cruzeiros têm bom apelo de economia, mas do ano passado para cá, um número maior de hotéis passou a oferecer outros produtos para competir com este segmento'', justifica Cristiana Pitol Grassano, diretora da agência.
O gerente de atendimento à agencia da CVC, Diego Lentini, considera que devido aos preços mais baixos, praticados em 2009 e no ano passado, e também à maior disponibilidade de navios, as pessoas tiveram mais acesso aos cruzeiros nos anos anteriores e neste ano estão optando por outros destinos. ''Não houve perda, mas sim troca de produtos'', complementa.
Resort
Outro produto que passou a ser mais cobiçado pelo brasileiro é o resort. Conforme o vice-presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav-PR), Roberto Bacovis, nos últimos quatro anos, esse mercado começou a aquecer e atualmente o País conta com aproximadamente 60 resorts. ''Os preços ficaram mais acessíveis e também houve ascenção da classe C'', justifica. ''O resort tem bastante procura porque oferece um conjunto de atrativos no mesmo local'', reitera. (A.V.)

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