O consórcio liderado pela Telefónica de Espa¤a, integrado também pelo Grupo RBS - o Telefônica do Brasil Holding -, comprou a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) em leilão concluído ontem ao meio-dia. O grupo vencedor pagou R$ 1,176 bilhão, com um ágio de 26,92% sobre o preço mínimo de R$ 926,496492 milhões. Apenas dois consórcios participaram do leilão. O grupo derrotado, liderado pelo Banco Opportunity, ofereceu R$ 1,029 bilhão, com ágio de 11,07%.
Os novos administradores assumirão a tele gaúcha no dia 25, informou o presidente do conselho diretor do Programa de Reforma do Estado e secretário das Minas e Energia e Comunicações do Rio Grande do Sul, Assis de Souza. A liquidação financeira do leilão será feita no dia anterior.
O presidente mundial da Telefónica de Espa¤a, Juan Villalonga, disse que o grupo, em conjunto com a RBS, fará uma captação internacional no valor total da compra, o que representara uma entrada de R$ 1,176 bilhão no País. Villalonga anunciou que o próximo presidente da CRT será o presidente da RBS, Nelson Sirotsky, e garantiu aos funcionários da CRT que esta será a única mudança no quadro funcional da companhia.
O presidente da Telefónica não quis revelar o montante de investimentos que ocorrerá após a privatização, mas assegurou que haverá a instalação de 40 mil telefones por mês. A demanda reprimida no Rio Grande do Sul é de 700 mil telefones.
Villalonga afirmou que o preço oferecido foi de apenas 10% acima do que eles haviam pago pelas ações da própria CRT, que haviam comprado 16 meses atrás. Um dos diretores da RBS, Carlos Melzer, disse ao ser cumprimentado pelo presidente do Banrisul, Ricardo Russovisky: ‘‘Foi o melhor negócio da minha vida’’.
A participação dos dois grupos será paritária (50% para cada um). Sirotsky disse que haverá a possibilidade de uma abertura para a entrada de novas empresas pequenas e médias no consórcio. Segundo ele, pelo menos quatro grupos estão interessados em participar.
O leilão foi feito na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre, ao meio-dia. Segundo o secretário Souza, a privatização da Companhia Riograndense de Telecomunicações foi um marco, pois é a primeira empresa do setor a ser privatizada. Souza afirmou que agora o governo gaúcho passa de vendedor da CRT para a condição de fiscalizador da qualidade dos serviços.
Villalonga disse que, ainda em parceria com o grupo RBS, vai participar da privatização da Telebrás. Segundo ele, a Telefónica de Espa¤a tem mais de 100 pessoas estudando todos os ativos do Sistema Telebrás para participar do leilão de privatização.
Também o Grupo Opportunity, que perdeu a CRT para a Telefônica do Brasil Holding, vai disputar a Telebrás. A consultora do grupo, Elena Landau, disse ontem que a instituição vai agora se concentrar na formatação do consórcio que disputará a Embratel. O Opportunity já tem como parceiro na formatação a empresa Sprint. Sobre a perda, Laudau afirmou que ‘‘não se pode ganhar tudo’’.

mockup