Da crise asiática à crise russa, um temporal de mais de um ano
A crise monetária e financeira na Rússia se deve em parte à crise iniciada no Sudeste asiático há mais de um ano, quando foi desvalorizado o baht tailandês. Veja as principais datas da crise desde julho de 1997:
- 1997
- 2 de julho:Ante uma grave crise financeira, o Governo da Tailândia deixou flutuar livremente sua moeda, o bath.
O peso filipino, a rúpia indonésia, o ringgit malaio, o dólar de Cingapura, o dong vietnamita, o won sul-coreano e o iene japonês caíram sucessivamente.
- 20 de agosto: o FMI aprovou um plano de emergência de 17 bilhões de dólares para a Tailândia.
Posteriormente, a instituição internacional aprovou, no final de outubro, um plano para a Indonésia de mais de 40 bilhões de dólares e, em dezembro, um para a Coréia do Sul de 57 bilhões de dólares.
- 23 de outubro: a maior queda dos últimos 10 anos na Bolsa de Hong Kong provocou a queda de bolsas da região e européias.
- 27 de outubro: ‘‘segunda-feira negra’’ em Nova York, com uma queda histórica de 554 pontos do índice Dow Jones, que provocou novos e consideráveis desabamentos em todas as praças financeiras do mundo.
- 1998 -
- 24 de abril: Tóquio aprovou um plano de reativação econômica de um valor recorde: 128 bilhões de dólares.
- 21 de maio: Em meio a uma crise sem precedente, o presidente indonésio Suharto renunciou, depois de uma série de manifestações e incidentes, nos quais morreram mais de mil pessoas.
- 12 de junho: o Japão entrou em recessão, depois de dois trimestres de crescimento negativo. No dia 2 de julho, Tóquio anunciou um plano para sanear o setor bancário, que estimulou as principais bolsas da Ásia, mas não a moeda japonesa.
- 13 de julho: afetada pela crise asiática, a que se juntaram suas debilidades estruturais internas, a Rússia obteve uma ajuda histórica de 22,6 bilhões de dólares, com a condição de reduzir à metade seu déficit orçamentário.
- 16 de julho: o FMI anunciou uma nova ajuda para a Indondésia de seis bilhões de dólares.
- 11 de agosto: sensível queda das bolsas latino-americanas, vinculada com a baixa das principais praças financeiras do mundo .
- 17 de agosto: o Governo russo deixou de defender o rublo e suspendeu o reembolso de sua dívida externa.
- 18 de agosto: a Bolsa de Moscou e o rublo caíram sensivelmente.
- 21 de agosto: a crise russa afetou todos os mercados bursáteis.
Wall Street conseguiu limitar as perdas (-0,9%), mas a maioria das praças caiu sensivelmente: Madri baixou 5,81%, Frankfurt 5,4%, Paris 3,52% e Londres 3,36%.
São Paulo, a principal bolsa da América Latina, perdeu 2,85%.
- 23 de agosto: o presidente russo Boris Yeltsin demitiu o governo de Serguei Kirienko e designou novamente primeiro-ministro Victor Chernomirdin, antecessor de Kirienko.
- 27 de agosto: ‘‘quinta-feira negra’’, os mercados financeiros caíram de maneira espetacular: em Nova York, o Dow Jones, perdeu 4,2%, uma das quedas mais fortes desde 1987, calculado em percentual.
Na Europa, Moscou perdeu 17,14%, Frankfurt 3,26%, Londres 3,2% e na América Latina, São Paulo e Buenos Aires caíram 10%, um percentual recorde.
O rublo perdeu em torno de 60% de seu valor, desde a desvalorização, há onze dias.
Malásia e Coréia do Sul anunciaram que pelo segundo trimestre consecutivo, seu Produto Interno Bruto diminuiu, juntando-se assim a países ou regiões oficialmente em recessão, como Japão, Hong Kong, Indonésia e Tailândia.

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