São Paulo - Os candidatos seguem prometendo cortes na tributação, apesar de os números indicarem que 2007 será um ano para apertar o cinto. Cotado para permanecer no cargo caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja reeleito, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, já anunciou que tem um cronograma de desonerações tributárias.
  As medidas vão privilegiar o investimento produtivo e são prometidas para logo. As máquinas pesadas são fortes candidatas a benefício desse tipo. E Mantega tem dito que o preço da energia está muito elevado, provavelmente por causa da tributação.
  Na semana passada, o ministro fez uma ‘‘confissão em público’’: disse que o governo havia elevado a carga tributária. Era uma afirmação que contraria todo o discurso oficial, pois Lula havia prometido manter a carga estável. No mesmo dia, Mantega recuou, dizendo que estava ‘‘brincando’’. Ele acha que haverá espaço para cortar a tributação porque a economia vai crescer acima dos 5% ao ano e as despesas aumentarão de forma mais lenta.
  O próprio Lula prometeu, em propaganda veiculada na televisão, que continuará ‘‘melhorando’’ a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). Ou seja, a intenção do governo, se reeleito, é continuar corrigindo a tabela de recolhimentos na fonte, a exemplo do que já se fez no primeiro mandato de Lula.
  O efeito prático dessa medida é fazer com que a tributação não fique muito descolada dos reajustes salariais. Do contrário, os ganhos nos salários se traduzem em mais imposto a pagar.
  A equipe do candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, trabalha com a hipótese de aumentar o limite de isenção do imposto de renda, hoje em R$ 1.257,12. Na prática, menos pessoas serão obrigadas a declarar e pagar o imposto. O tucano promete baixar a carga, hoje na casa dos 40%, para 30% em dez anos. Alckmin acha que conseguirá reduzir os tributos porque cortará as despesas.

mockup