Os males da Argentina são resultados de um processo desastroso de privatizações realizado no governo de Carlos Menem (89-99). Esta é a avaliação do chefe do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Demian Castro. Argentino naturalizado brasileiro, ele afirmou que a presidente Cristina Kirchner está tentando ''desastar os nós'' do passado.
O professor acredita que a privatização de setores estratégicos, como o do petróleo, foi realizada sem exigência de contrapartidas. ''O governo entregou o setor para companhias estrangeiras, sem mesmo definir uma forma de regulá-lo'', declarou.
Para ele, o mesmo poderia ter ocorrido no Brasil se a sociedade não houvesse contido o processo de privatização durante o governo Fernando Henrique Cardoso, impedindo que ele avançasse para o setor de petróleo e de energia elétrica. Segundo Castro, a balança comercial argentina era positiva e tornou-se negativa logo após o processo de privatização.
Ele considerou, no entanto, que a reestatização de uma empresa é um ''processo muito complicado no cenário de uma economia globalizada''. E teme pelo fato de Cristina estar abrindo ''muitas áreas de conflitos''. ''Há mais de 20 ações contra a Argentina na OMC (Organização Mundial do Comércio) por causa do protecionismo.''
Além disso, ele citou a briga da presidente com os principais veículos de comunicação argentinos. ''E ainda retomou a discussão sobre as Ilhas Malvinas'', completou.
Para Castro, Cristina se encontra no fio da navalha. Ao mesmo tempo que precisa proteger a indústria do país, tem de abrir as importações para segurar a inflação.
De acordo com o professor, é pouco provável que a Argentina tente prejudicar a Petrobras que também atua por lá. Apesar de afirmar que existem concessões da companhia brasileira suspensa em ''duas ou três províncias'', ele não acredita que Cristina atente contra a empresa brasileira. ''Ela não seria maluca a esse ponto. Além disso, já ligou para a Dilma dando garantia sobre os negócios da Petrobras na Argentina''.
Para o vice-presidente da Federação das Indústrias Estado do Paraná (Fiep), Rommel Barion, não há ambiente no Brasil para a tomada de decisões parecidas com as da Argentina. ''O governo brasileiro age muito diferente, respeita contratos e oferece segurança ao investidor'', afirmou.
Coordenador do Conselho Temático de Comércio Exterior, Barion disse temer que a Comunidade Europeia passe a retaliar a Argentina. Um aprofundamento da crise tende a prejudicar também o Brasil, principal parceiro do país vizinho.

Imagem ilustrativa da imagem 'Cristina tenta desatar nós do passado'
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