Apesar de não ser tratada como um problema da proporção de 2008, a crise que acontece neste momento na Europa pode ser considerada uma consequência do que ocorreu nos Estados Unidos e se espalhou pelo resto do mundo há três anos. Para entender melhor este cenário econômico atual a FOLHA conversou com economistas especializados no assunto.
A principal diferença entre os dois eventos é que em 2008 o estopim da crise estava nas instituições financeiras. A oferta elevada de crédito, graças ao baixos juros dos EUA, fez com que os bancos emprestassem mais dinheiro do que possuíam. Porém, o mercado de subprime - que é uma parte do mercado imobiliário americano - começou a entrar em colapso porque os cidadãos não tinham como pagar suas dívidas. ''Como os bancos possuíam muitos papéis e empréstimos no setor imobiliário, o sistema financeiro ficou completamente quebrado'', explica Fábio Kanczuk, professor de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (Fea/Usp).
Com a falta de crédito, o consumo despencou, afetando duramente as empresas. Para tentar solucionar este problema, os governos injetaram recursos nas instituições financeiras, o que fez com que países acabassem se endividando ainda mais. O grave da história é que algumas economias mundiais, em especial a de países europeus, já estavam em situação complicada. ''O que liga uma crise na outra é que alguns governos já estavam com problemas sérios. Com a crise de 2008, várias economias estão afundando agora'', compara o especialista.
Com a tentativa de fazer um ajuste fiscal, Kanczuk comenta que os governos europeus acabaram cortando gastos, demitindo funcionários e aumentando os impostos, o que faz com que a população sinta os problemas 'na pele' a curto prazo. O economista relata ainda que a situação dos EUA também não deixa de ser preocupante neste momento. ''O problema da dívida americana é sério, mas ainda não pegou fogo, está sendo postergado.'' (V.L.)

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