Crises não deixam Bovespa decolar
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de setembro de 2001
Mônica Ciarelli 
A instabilidade gerada pelo ata que terrorista aos Estados Uni dos deve reduzir ainda mais o vo lume de investi mento de curto prazo no Brasil. A já convalescente Bolsa de Valores de São Paulo deverá ser a grande prejudicada, segundo consultorias e bancos estrangeiros. Prova disso, é o baixo volume de negócios registrado nos pregões da semana marcada pelo terror nos Estados Unidos.
Analistas não enxergam uma luz no fim do túnel. O vice-presidente de Renda Variável do LLoyds TSB, Pedro Thomazoni, acredita que o volume de negócios diários na Bovespa deve permanecer na faixa dos R$ 300 milhões e R$ 400 milhões a curto e médio prazo. A falta de gás do mercado pode ser facilmente percebida quando se compara a média de giro financeiro deste mês, que está em R$ 420 milhões, com os R$ 750 milhões registrados em setembro do ano passado.
''Vamos nos estabilizar em um patamar inexpressível'', previu. Segundo ele, apesar das ações em bolsa estarem baratas, não haverá espaço para uma recuperação no curto prazo. Os setores mais prejudicados serão os de telecomunicações e de energia elétrica. ''São segmentos que demandam muitos investimentos para crescer.'' O enfraquecimento do mercado acionário, que já acumula perda em torno de 35% este ano, deve adiar os planos de empresas que pretendiam captar recursos em bolsa para financiar expansões.
O economista do JP Morgan, Luiz Fernando Lopes, lembra que o fluxo de recursos estrangeiros para o Brasil vem baixando desde 1997 e agora deve registrar uma nova queda. ''Isso não chega a ser um problema tão grave porque o investimento em portifólio no Brasil é pequeno. Mas, deve reduzir ainda mais o volume de negócios em bolsa'', disse.
A perspectiva de um menor crescimento econômico mundial terá impacto direto no fluxo de recursos transacionado no mercado internacional, avalia a Zeina Latif, da Tendência Consultoria. ''Em um momento de liquidez menor, os investimentos para emergentes diminuem'', explica. Entretanto, ela destaca que os investimentos diretos não devem ser muitos afetados, pois são aplicações com longos períodos de maturação.
Crise Um dos setores em franca transformação é o de seguros. Esse mercado passará por uma fase de concentração no País nos próximos anos, que poderá reduzir o número de grandes empresas para cinco no máximo, ampliar a participação de empresas internacionais e aprofundar o processo de especialização de carteiras. Hoje, cerca de dez companhias dominam mais de 70% do mercado.
Para a Sul América, que divide a liderança do setor com a Bradesco Seguros, em cinco anos o número poderá cair à metade. Já um levantamento exclusivo da KPMG mostra que dos 100 maiores grupos internacionais do setor, apenas 29 colocaram o pé no Brasil.
O novo desenho do mercado deverá esbarrar, contudo, nos prejuízos gerados pelos atentados terroristas às grandes empresas de seguros e resseguros internacionais, que poderão postergar investimentos externos. ''Vai haver uma reacomodação, um reequilíbrio do patrimônio das seguradoras internacionais e, em função disto, a capacidade de investimentos diminui. No entanto, os investimentos estrangeiros no Brasil neste setor tem níveis muito reduzidos para o porte destas corporações. Além disso, quem tinha planos já avançados para entrar no mercado brasileiro não deve modificar os planos neste sentido'', analisa José Rubens Alonso, da KPMG.


