Crises da argentina e energia afetam consumo
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de julho de 2001
Luciano Augusto De Londrina 
Os sete anos do Plano Real conseguiram introduzir no mercado brasileiro 14 milhões de novos consumidores de bens básicos nas classes C, D e E, que saíram da linha de pobreza. Mas esse crescimento corre perigo com a crise interna de energia e a crise cavalar da Argentina, parceiro mais forte do Brasil no Mercosul. Pelo menos essa é a avaliação do economista e publicitário Adalberto Gonçalves, que esteve ministrando palestra na sexta-feira, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), sobre o crescimento do consumo entre as classes C, D e E, a convite do Sindicato das Agências de Propaganda do Estado do Paraná (Sinapro).
Gonçalves avalia que com o Plano Real, as pessoas puderam organizar melhor seus salários, sem o vilão da inflação. O empresariado, por sua vez, teve que se adaptar à nova realidade do mercado, já que 76% da população nacional está fixada nessas classes. As empresas tiveram que fazer investimentos para atender o aumento da demanda, frisou.
Mas, novamente, a economia fraquejou por causa do racionamento de energia elétrica. Para piorar as coisas, veio a crise argentina. E como se livrar desse novo enrosco econômico? Gonçalves dá a dica. Um primeiro aspecto é que a economia hoje é mais sólida lastreada pelo investimento privado do que, por exemplo, na década de 70 quando o País era movido pelo investimento estatal. Com isso, o empresariado passou a ter vias alternativas de atuação e não deve perder o que foi conquistado.
Para Gonçalves, o crescimento ideal passa pela melhoria do grau de escolaridade e instrução dessa faixa de consumo. O empresário tem que estar consciente que deve contribuir para isso, sobre pena de perder essa fatia de mercado que é das mais promissoras. Só assim eles passarão a ser geradores de emprego e renda, concluiu.
Como exemplo, ele citou que do total de vendas da indústria automobilística, por exemplo, 70% correspondem a modelos populares.


