Os sete anos do Plano Real conseguiram introduzir no mercado brasileiro 14 milhões de novos consumidores de bens básicos nas classes C, D e E, que saíram da linha de pobreza. Mas esse crescimento corre perigo com a crise interna de energia e a crise cavalar da Argentina, parceiro mais forte do Brasil no Mercosul. Pelo menos essa é a avaliação do economista e publicitário Adalberto Gonçalves, que esteve ministrando palestra na sexta-feira, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), sobre o crescimento do consumo entre as classes C, D e E, a convite do Sindicato das Agências de Propaganda do Estado do Paraná (Sinapro).
Gonçalves avalia que com o Plano Real, as pessoas puderam organizar melhor seus salários, ‘‘sem o vilão da inflação’’. O empresariado, por sua vez, teve que se adaptar à nova realidade do mercado, já que 76% da população nacional está fixada nessas classes. ‘‘As empresas tiveram que fazer investimentos para atender o aumento da demanda’’, frisou.
Mas, novamente, a economia fraquejou por causa do racionamento de energia elétrica. Para piorar as coisas, veio a crise argentina. E como se livrar desse novo enrosco econômico? Gonçalves dá a dica. Um primeiro aspecto é que a economia hoje é mais sólida – lastreada pelo investimento privado – do que, por exemplo, na década de 70 – quando o País era movido pelo investimento estatal. Com isso, o empresariado passou a ter vias alternativas de atuação e ‘‘não deve perder o que foi conquistado’’.
Para Gonçalves, o crescimento ideal passa pela melhoria do grau de escolaridade e instrução dessa faixa de consumo. ‘‘O empresário tem que estar consciente que deve contribuir para isso’’, sobre pena de perder essa fatia de mercado que é das mais promissoras. ‘‘Só assim eles passarão a ser geradores de emprego e renda’’, concluiu.
Como exemplo, ele citou que do total de vendas da indústria automobilística, por exemplo, 70% correspondem a modelos populares.

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