Vários motivos - nenhum deles otimista - devem encorajar os agricultores a participar do debate de hoje à noite no Sindicato Rural de Londrina (‘‘O que faremos nas eleições de 4 de outubro’’) para analisar compromissos dos candidatos com o setor. Se a agricultura, há tempo já não via firmeza nos políticos, a situação se agravou nas últimas semanas com a crise mundial que deixa o setor ainda mais vulnerável. Vêm aí novos sacrifícios e o setor será convocado a pagar mais esta conta.
Ainda ontem, era divulgado um prognóstico apontando dificuldades na próxima safra. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA), avaliando o impacto das medidas do governo (para conter o déficit público) sobre a agricultura, adiantou que o volume de dinheiro para a produção vai diminuir muito em função da elevação das taxas de juros. Todos sabem que na partilha do orçamento a agricultura só pega migalhas.
Pela estimativa dos técnicos, os recursos destinados à agricultura irão escassear tanto nas linhas que possuem juros controlados como naquelas que operam com taxas livres. Segundo os analistas econômicos, os recursos destinados a equalização das taxas de juros, bancados pelo Banco do Brasil, deverão ser reduzidos.
Equalização Os R$ 500 milhões destinados este ano pelo Banco do Brasil à equalização das taxas da poupança rural (8,75% ao ano) com a remuneração da caderneta de poupança serão consumidos mais rapidamente. Isto ocorrerá em função do aumento na remuneração da caderneta de poupança em decorrência do aumento dos juros.
É de se esperar ainda a possível redução dos recursos provenientes da parcela de 25% sobre os depósitos à vista que os bancos são obrigados a destinar ao crédito agrícola. Como o depósito à vista não tem remuneração nenhuma, os clientes deverão dar preferência a outras aplicações que tenham maior rendimento, reduzindo o crédito sobre a parcela à vista.

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