Por melhor que seja a cozinheira, a tradicional bacalhoada da Semana Santa vai ficar salgada neste ano. Os preços dos principais ingredientes do prato - bacalhau, azeite e azeitona - subiram até 5,91% de 24 de janeiro a 21 de fevereiro, segundo levantamento da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), da USP.
Como esses produtos são importados, os preços dependem da variação cambial, e é provável, segundo supermercadistas e especialistas em preços, que até a Páscoa ocorram mais reajustes. A alta do dólar já bateu em 70% de meados de janeiro até agora.
O arroz, o principal acompanhamento da bacalhoada, também ficou 2,55% mais caro no período. Apesar de o Brasil ser produtor do grão, o País importou o cereal no ano passado porque a safra brasileira foi menor do que a de 97.
Os preços levantados pela Fipe são médios, já que levam em conta a cotação de quatro semanas consecutivas. Por essa razão, os reajustes mais recentes ainda não estão tendo total impacto no índice que mede a inflação. Dependendo do local onde o consumidor comprar as mercadorias, pode pagar até 70% mais caro pelo ingrediente principal.
Em fevereiro do ano passado, o bacalhau foi comercializado a R$ 13 o quilo, em média. Neste ano, o quilo já está em R$ 22, em média, informa o Sincovaga (Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios do Estado de São Paulo).
Wilson Tanaka, presidente do Sincovaga, lembra que, nos dois últimos anos, o bacalhau chegou a ser mercadoria de promoção dos supermercados. Com o câmbio favorável à importação, os supermercados aumentaram a oferta do produto para a Semana Santa e acabaram tendo de reduzir os preços para vender os volumes importados. ‘‘Mas a festa da bacalhoada acabou.’’ Segundo Tanaka, o consumidor já está pagando 35% mais, em média, pelo azeite e pela azeitona em muitos supermercados.
Pelos seus cálculos, o prato principal da Semana Santa vai custar 35% mais caro do que no ano passado, a não ser que a cozinheira diminua a quantidade do bacalhau e aumente a de batata, de ovos, de pimentão e de cebola. Pela pesquisa da Fipe, os preços desses produtos caíram no período de 24 de janeiro a 21 de fevereiro. No caso do tomate, a queda foi de 7,71%; no da batata, de 7,40%; no da cebola, de 5,04%; no do pimentão, de 1,64%, e no dos ovos, de 1,04%. Nos cálculos da consultoria MCM, mesmo se a cozinheira adensar a bacalhoada com outros ingredientes, o prato deverá custar pelo menos 15% mais caro neste ano.
Segundo Fábio Silveira, economista da MCM, com a flutuação do câmbio, é provável que até a Semana Santa os preços do bacalhau subam mais 20% a 30% porque boa parte do volume importado - cerca de 10 toneladas - ainda não chegou ao Brasil. ‘‘O jeito é substituir o bacalhau pelo peixe nacional, como a pescada e o linguado’’, sugere.

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