Crise traz investimentos americanos para o Brasil
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sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Edson Pereira Filho<br>Reportagem Local 
As fusões entre empresas norte-americanas e brasileiras devem se acentuar nos próximos meses. O motivo da vinda dos americanos para cá, seria a onda da crise da Bolsa nos EUA nos últimos, acentuada pela forte queda dos preços das ações no mundo todo desde a semana passada. Fundos de pensões americanos também começarão a investir pesadamente no mercado brasileiro, comprando imóveis, terras e ações. Esta debandada de capital reside na incerteza de que a crise de fato será estacanda pela injeção de US$ 700 bilhões de dólares do governo Busch para salvar seu país da turbulência dos mercados.
As afirmações acima são de Fábio Lopes Vilela Berbel, professor de mestrado em Direito Previdenciário pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (Puc-SP). ''Há uma crise também de confiança no mercado e nas instituições financeiras americanas'', diz Berbel, que é londrinense. O estudioso é sócio-proprietário do escritório de advogados Vilela Berbel e Brangança, com sedes em São Paulo, Belo Horizonte, Natal, Rio de Janeiro. Falando de fusões, o estudioso conta que possui dois escritórios nos Estados Unidos, um em Nova Iorque e outro na Costa Leste.
Berbel declara que 40% do faturamento dos seus escritórios diz respeito a fusões entre empresas americanas e brasileiras. Segundo ele, um dos sócios, Arthur Bragança de Vasconcellos Weintraub, doutor em Direito pela USP e com pós-doutorado em Harward, comanda todas as operações de fusões dos escritórios nos EUA. Compra de terras no nordeste para construções de resorts está sendo um dos focos de investimentos por parte dos fundos de pensões. ''Estes capitais vão investir muito em turismo daqui por diante'', prevê o causídico.
Ele informou que estes fundos americanos possuem cerca de US$ 13 trilhões para investir em qualquer parte do mundo, o equivalente ao PIB dos EUA. O professor explica que a lei daquele país vedava investimentos em ações em países de economia de risco, como era a do Brasil. ''Devido o País ter recebido grau de investimento de agências do mercado financeiro, os fundos dos EUA agora podem vir para cá'', declara, ao acrescentar que a vinda deste capital se dará devido as incertezas e desconfianças das instituições financeiras americanas. ''O mercado ainda não se convenceu que a crise passou'', alerta.
O estudioso, entretanto, pondera que o investimento poderia ser maior no Brasil, caso não houvesse tanta ''insegurança jurídica''. Berbel raciocina que o ganho financeiro no Brasil é insuperável, chegando a 30% de rendimento médio em Bolsa no ano. Nos EUA os rendimentos em ações não chegam a 4% e na Europa 2% ao ano. Porém, o professor pondera que embora o lucro seja acima das expectativas, o risco em investir no Brasil também são maiores. Ele lembra que um litígio judicial no Brasil chega a demorar em média 10 anos, o que desestimula, em parte, qualquer investidor estrangeiro a correr o risco de ter seu capital sub judice no Brasil por este período. ''Precisamos fazer rapidamente a Reforma do Judiciário, isto está atrasando o crescimento econômico do Brasil'', vaticina.


