Crise tem corrupção e disputa de terra
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de outubro de 2005
José Maria Tomazela<br>Agência Estado 
Eldorado (MS) - O foco de aftosa não foi o único episódio a mudar, este ano, a rotina de Eldorado. Em maio, uma operação da Polícia Federal flagrou um grande esquema de contrabando e corrupção envolvendo policiais e pessoas conhecidas da cidade. A ''operação hidra'', como foi chamada, terminou com prisões e a desarticulação do esquema que empregava, informalmente, pelo menos 300 moradores.
A cidade foi destaque nas manchetes policiais. A prefeita Mara Caseiro nem quer falar no assunto. ''É algo que nós queremos apagar''. O contrabando mobilizava também mão-de-obra recrutada em Novo Mundo, cidade da fronteira.
A região é palco de conflitos com índios e sem-terra. Os assentados do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) compram vacas e bezerros no Paraguai, onde o preço é mais barato, para se abastecer de leite. Eles são suspeitos de ter introduzido o vírus da aftosa na região.
Os índios guaranis-caiovás, da reserva de Porto Lindo, em Japorã, também negociam bovinos com os paraguaios. Os indígenas estão em permanente conflito com os fazendeiros. Há dois anos, invadiram 14 fazendas, alegando serem terras de seus antepassados.
''É uma região sem lei'', diz o ruralista Márcio Margatto, de Iguatemi. Segundo ele, até agora a ordem de reintegração de posse da fazenda invadida, dada pela Justiça, não foi cumprida.
Usina - Prefeitos da região trabalham para diversificar a economia, centrada na pecuária. A prefeita de Eldorado anunciou a chegada de uma usina de açúcar e álcool. Será a primeira numa região sem a tradição dos canaviais.
O grupo investirá R$ 120 milhões no projeto. A prefeitura doará a área de 20 alqueires para a indústria. O plantio da cana começa, nos canteiros, ainda este ano. A unidade vai moer, a partir de 2008, cerca de 800 mil toneladas por ano. Serão criados entre 1.200 e 1.500 empregos.
Dentista, ela entrou na política a convite do sogro, um político tradicional. Perdeu a primeira eleição, ganhou a segunda para vereadora, depois duas seguidas para a prefeitura. ''A população é pobre, mas não precisa ser carente'', sustenta. Ela reconhece que há muito a fazer: 40% das ruas não têm asfalto, muitas estão sem iluminação e o déficit habitacional é de 400 casas - isso porque ainda conseguiu construir 200.
Com poucos recursos, terá de recorrer ao governo. No mês que vem, Eldorado vai realizar sua quinta Festa da Melancia. A cidade se intitula capital estadual da fruta. No ano passado, colheu 11 mil toneladas em 420 hectares. Este ano, devido à seca, a safra será menor, como foram a de soja e a de milho, outros produtos locais.


