Crise também interfere no processo
Embora considere outros fatores como determinantes para o prejuízo acumulado neste ano pela Sercomtel, o presidente Kentaro Takahara admite que a crise política na cidade e o troca-troca no comando da operadora ajudam a mantê-la no vermelho. ''É um processo que prejudica a imagem da empresa no mercado e traz instabilidade para o quadro funcional'', afirma.
Em menos de quatro anos, a Sercomtel teve seis presidentes. Em janeiro de 2009, José Roque Neto assumiu mandato tampão como prefeito de Londrina e indicou para o cargo o servidor de carreira da empresa, Mário Jorge de Oliveira Tavares. Quatro meses depois, o prefeito eleito Barbosa Neto assumiu o cargo e nomeou para a Sercomtel o empresário Fernando Kireeff. Ele ficou na função por pouco mais de dois anos.
Kireeff foi o que mais tempo permaneceu no cargo. Pediu para sair alegando motivos pessoais em agosto do ano passado. Barbosa nomeou então o jornalista Roberto Coutinho, que foi afastado pela Justiça dia 16 de maio deste ano, acusado de corrupção. A servidora e vice-presidente da Sercomtel, Eloíza Pinheiro, assumiu o cargo por alguns dias.
Em 22 de maio, o prefeito nomeou outro funcionário de carreira, Régis Márcio Tavares, que pediu para sair 30 dias depois. Na sequência, dia 22 de junho, Barbosa indicou o advogado Marcelo Cortez, então presidente da Cohab. Com a cassação de Barbosa, no final de julho e a posse de José Joaquim Ribeiro na Prefeitura, foi indicado para o cargo o empresário e atual presidente Kentaro Takahara.
Como as chances de Ribeiro não terminar o mandato são razoáveis, existe a possibilidade de um sétimo presidente na Sercomtel. Mas, se depender de Kentaro, isso não vai ocorrer. ''Se depender da minha vontade, vamos completar o nosso trabalho até o fim do ano. Estamos motivados e queremos cumprir a nossa missão'', afirma.
Ele diz que os departamentos jurídicos da Sercomtel e da Copel estudam uma alteração de estatuto para impor critérios à indicação de diretores e conselheiros. ''É preciso condicionantes para que as pessoas assumam cargos. Elas precisam ter competência e expertise para atuar na empresa. Os conselheiros precisam ser eleitos. Temos de blindar a Sercomtel de uso político'', declara.
O presidente diz que que a Copel - sócia que detém 45% das ações da Sercomtel - se mostra preocupada com os prejuízos da telefônica. E lembra que a relação entre os dois sócios se esgarçou durante a administração de Barbosa Neto, mas diz que agora está tudo bem. ''Conseguimos retomar uma boa relação. Nós fomos à Copel e expusemos nosso propósito de fazer uma gestão isenta. Não nomeei nenhum assessor. Só trabalho com uma secretária. Ainda estou usando o meu celular pessoal'', conta. (N.B.)





