Crise segura onda industrial do PR
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sábado, 20 de fevereiro de 1999
Carmem Murara 
A incerteza quanto ao desfecho que terá a economia do País, após a turbulência gerada com a desvalorização da moeda brasileira, fez com que um grupo de empresas supendesse por alguns meses os novos investimentos que haviam programado para fazer no Estado. Uma das empresas que já comunicou oficialmente que adiou o início de parte dos investimentos é a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A CSN atrasará por três meses a instalação da fábrica de laminados em Araucária, (Região Metropolitana de Curitiba). A Dixie Toga, com sede em Londrina, suspendeu o projeto de instalação por tempo indeterminado (leia nesta página).
Segundo informações do secretário de Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, a CSN foi a única empresa que, até agora, formalizou a intenção de reduzir os investimentos até ter certeza de como se comportará o mercado nacional. Ele não tinha conhecimento sobre a intenção da Dixie Toga. Sabemos que os empresários estão cautelosos e isso pode representar um atraso temporário, mas não acreditamos que possa haver qualquer cancelamento de investimentos, afirmou Sciarra.
No caso da CSN, o grupo carioca e a empresa mexicana Imsa formaram uma joint venture para a construção de uma fábrica que produzirá aços galvanizados para a indústria de eletrodomésticos (linha branca). O investimento previsto é de R$ 325 milhões até o ano 2001. Em dezembro, a diretoria da CSN anunciou que começaria a produzir no final do próximo ano, mas com a mudança no cronograma, a empresa não faz mais estimativa de quando iniciará a produção.
O secretário Eduardo Sciarra disse que o adiamento nos investimentos deve ocorrer apenas com as empresas que ainda não iniciaram as instalações no Estado. Quem já está com as obras em andamento ou quem está prestes a iniciar a produção está mantendo o cronograma inalterado, garante o secretário.
Há empresas que investiram, mas que agora sabem que terão um retorno mais lento do dinheiro aplicado na nova fábrica do que imaginavam. Este é o caso da Brose do Brasil - fornecedora de componentes para portas e levantadores de vidros para a Volkswagen/Audi. Dependemos de um aquecimento do mercado automotivo, o que deve acontecer no segundo semestre, disse, otimista, o diretor superintendente da empresa Ricardo Cipullo.
O secretário da Indústria e Comércio aposta que o recuo de alguns empresários representa apenas o receio frente à crise econômica, mas que não significará cancelamento dos investimentos previstos. O Paraná conseguiu garantir R$ 16 bilhões com as novas indústrias, para os próximos anos. Somente no ano passado, o governo do Estado assinou acordos para dar incentivos fiscais a 83 novas empresas, que optaram em se fixar no Estado. Juntas, elas garantirão um aporte de R$ 2,4 bilhões na economia paranaense.


