Brasília é uma coisa; o mercado é outra totalmente diferente. Se na capital federal os ânimos estão exaltados e há um clima de tragédia após as demissões dos irmãos Barros, de Lara Resende e de Pio Borges, os pregões das bolsas de valores viveram ontem um dia tranquilo, com esboços de otimismo. Evidentemente, os investidores não estão alheios à perigosa cilada política envolvendo o Executivo, mas optaram por fazer uma outra leitura.
Na avaliação majoritária dos executivos consultados pela Agência Estado, as demissões colocam um fim no ambiente de denuncismo que vinha dominando a imprensa, políticos oposicionistas e até aliados ao governo. Se de um lado, a saída de nomes fortes abala os planos para um segundo mandato de FHC, de outro, livra o governo do constrangimento de se ver todo o dia na vitrine. E planos, afinal, podem ser refeitos; credibilidade, não.
Ontem a Bovespa fechou em alta de 1,22%, com volume financeiro nada desprezível de R$ 506 milhões. Os investidores preferiram se apoiar na boa receptividade do ‘‘road show’’ europeu do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e do diretor de Assuntos Internacionais do BC, Demosthenes Madureira Pinho Neto.
Tecnicamente, o Brasil vai bem, segundo sintetizou um executivo. O FMI vai liberar a primeira parcela de recursos ao País no início de dezembro, o Congresso deve continuar a votar as medidas de ajuste fiscal - sobretudo agora que foi afastada a possibilidade de uma CPI -, os juros continuarão em queda e não se cogitam mudanças no regime cambial. Para o mercado, este cenário é mais do que suficiente para se apostar em dias tranquilos.

mockup