São Paulo - A crise envolvendo o PFL de Roseana Sarney e o PSDB de José Serra antecipou a influência dos fatos políticos no mercado financeiro, que só era esperada para o início do segundo semestre. Para analistas consultados pela Agência Estado, o que era antes um monitoramento mais atento, embalado pelos ventos das pequisas eleitorais apontando crescimento dos dois candidatos, passou a ser fonte potencial de volatilidade.
‘‘O mercado estava rapidamente reduzindo o risco eleitoral em razão do crescimento dos dois nas pesquisas. Agora, há uma preocupação sobre que ruído os fatos recentes provocarão nas pesquisas, reforçada por uma grande dificuldade em se avaliar o real tamanho disso tudo’’, comenta o estrategista-chefe do JP Morgan, Luís Fernando Lopes.
A suposta ligação de Serra com a apreensão dos documentos e a revelação de eventuais irregularidades cometidas por Jorge Murad não foram a principal surpresa para o mercado. Anteontem, por exemplo, em relatório enviado aos clientes, o Bank of America afirmou que já esperava que ‘‘mais cedo ou mais tarde o PFL enfrentaria problemas com Jorge Murad’’.
O que surpreendeu foi a reação intempestiva da governadora maranhense. Para alguns, revelou uma até então desconhecida e preocupante fragilidade de Roseana frente a situações adversas. Para outros, criou uma situação irreversível para o PFL na aliança com o governo, que joga luz sobre questões ‘‘sagradas’’ aos olhos do mercado, entre elas a governabilidade.
‘‘Roseana aparecia até então como uma candidata também da continuidade e, por isso, o mercado via até com certa indiferença se seria ela ou Serra a chegar em primeiro lugar. Agora, sem dúvida, essa percepção muda’’, comenta um diretor de banco que prefere não se identificar.
Analistas do mercado tentam agora estimar qual a extensão deste embate político envolvendo Roseana Sarney, o PFL e o governo. Citam três pontos que serão acompanhados atentamente: a reação do PFL como partido da base aliada, o comportamento deste partido nas próximas votações, especialmente a prorrogação da CPMF (marcada para a semana que vem) e os beneficiados e prejudicados pela briga em termos eleitorais, o que as pesquisas de final de mês em boa medida revelarão.
‘‘As próximas pesquisas de intenção de voto indicarão, afinal, qual o saldo líquido disso tudo’’, comenta o economista-chefe do BBV Banco, Octavio de Barros.
O tamanho do desentendimento com o PFL também preocupa aos analistas. ‘‘Será muito importante avaliar qual a extensão desta possível ruptura do PFL com o governo’’, sublinha o economista-chefe do Citibak, Carlos Kawall. ‘‘Se for um abandono mais amplo, é um caso mais sério’’, acrescenta.

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