Crise política derruba confiança do empresariado
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terça-feira, 26 de julho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba O índice de confiança do empresário indústrial na economia caiu no primeiro semestre. No Paraná, o índice caiu nove pontos, passando de 55,6 em janeiro para 46,6 no final de junho. No País, a queda no índice de confiança do empresariado foi mais drástica, caindo de 64,9 pontos em janeiro para 50,7 em julho, segundo levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Os motivos da desconfiança apontados pela pesquisa revelam incerteza dos empresários com o cenário político, manutenção dos juros altos e sentimento de que a situação econômica piorou. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo Rocha Loures, o governo perdeu ritmo com a crise política e os reflexos na economia estão evidentes.
Segundo o empresário, os serviços públicos gerados pelo governo representam 40% da economia e eles perderam produtividade no último mês, destacou. Com isso, o desalento do empresariado com os juros altos se acentuou. Loures disse que os empresários estão mais cautelosos por conta da crise política e estão engavetando projetos de investimentos. ''Os empresários sentem o perigo da situação'', afirmou.
Por outro lado, a crise está provocando oscilação mais acentuada do dólar, podendo significar até uma alteração da política econômica. ''Não precisávamos passar por isso para ter uma mudança na política econômica que é intencionalmente recessiva'', lamentou Loures.
A julgar pelas previsões dos analistas de mercado, a crise política ainda não sinaliza mudanças expressivas no câmbio. Ontem, o dólar oscilou o dia inteiro, abriu em alta, mas fechou com uma pequena queda em relação ao dia anterior, em R$ 2,4510.
Para o operador de mercado, Mario Giovannoni, da Corretora Gradual, dificilmente o dólar voltará bater no fundo como chegou dias atrás a R$ 2,33. A tendência é que ele opere em torno de R$ 2,50 no segundo semestre, ''como já estava previsto'', acentuou. Para o analista, a crise política apenas antecipou um pouco essa correção. Segundo Giovannoni, os fundamentos da economia ainda são bons e a situação ainda não aponta para contaminação. O analista disse que a situação seria temerária se houvesse indícios de fuga de capitais estrangeiros, o que não está acontecendo.
Para o analista Ricardo Moraes Filho, da Fator Corretora, o mercado financeiro está ficando mais sensível com as notícias políticas. ''Mas o mercado ainda não definiu uma estratégia e ainda não identificamos uma alavancagem do dólar'', afirmou.


