Crise política começa a preocupar mercado
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segunda-feira, 25 de julho de 2005
Célia Froufe e Francisco Carlos de Assis<br>Agência Estado 
São Paulo - Cresceu, nos bastidores, o temor do mercado financeiro em relação ao desenrolar da crise política. Até a semana passada os economistas de bancos, corretoras e consultorias acompanhavam os desdobramentos de longe, sem que os negócios fossem afetados na prática. Agora é diferente. O sinal amarelo está aceso e, prova disso, é que alguns ativos, como o câmbio, o mais evidente, mudaram a trajetória.
''O mercado começou a se mexer na tentativa de fazer hedge para se proteger do aprofundamento da crise política porque as coisas pioraram muito no fim de semana'', explicou uma fonte consultada pela Agência Estado. ''A resposta para isto é que vai começar a precificação da crise, mais precisamente no câmbio'', afirmou a fonte, alegando que o principal motivo para este comportamento é que os rumores de corrupção estão cada vez mais próximos do presidente Lula.
Os economistas e executivos do mercado financeiro vinham acompanhando os desdobramentos políticos pela imprensa e com eventuais encontros e teleconferências com alguns políticos nos bastidores. Mas nos últimos dias, esses encontros ganharam mais relevância. ''Vemos que os indícios de corrupção podem respingar em pessoas importantes dentro do governo'', explicou outra fonte.
De acordo com este economista, o partido do governo, o PT, está ''atarantado e sem estratégia de combate às denúncias''. ''A crise está ganhando proporções e não há como contorná-la ou saber para onde vai'', afirmou. E é esta a grande preocupação atual. Ninguém quer apostar todas as fichas em um impeachment, mas também não se pode acreditar que ''tudo acabará em pizza''.
O problema de um impeachment do presidente, na avaliação de uma outra fonte, é o de avaliar se o Legislativo teria condições de julgar esta possibilidade em um contexto em que parte de seus componentes também está envolvida nos rumores e indícios de corrupção. ''Ninguém vê uma solução para o final da crise, mas também é difícil imaginar que acabará em nada justamente porque há muitos nomes citados'', explicou.
Um outro ponto levantado é que não há no cenário nacional um nome com envergadura suficiente para conter a crise. ''Não temos hoje um Tancredo Neves, um Ulisses Guimarães'', citou a fonte. Este economista salientou mais uma vez que o grande temor do mercado é de que ''o governo caia no colo de um aventureiro, um populista, um candidato pseudo-social''. ''Mas, por enquanto, também não estou vendo ninguém em pânico'', ponderou a fonte.


