Crise política começa a preocupar investidor
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terça-feira, 19 de julho de 2005
João Caminoto<br>Agência Estado 
Londres A crise política no Brasil não contagiou os mercados, como mostram os indicadores financeiros do País, liderados pela cotação do real. Mas começam a surgir alguns sinais de que os investidores estrangeiros estão exibindo uma maior preocupação com o Brasil, o que que poderá se tornar mais pronunciado caso o ambiente político se deteriore ainda mais nas próximas semanas.
A calma diante da volatilidade política tem sido explicada pelos bons fundamentos da economia, os excelentes resultados das exportações e o ambiente externo favorável, com uma forte liquidez beneficiando os países emergentes. Além disso, o não envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, nas denúncias serve até agora como uma garantia de que a política econômica continuará seu curso. Ao longo das últimas semanas, porém, a crise brasileira chegou de vez no exterior e tornou-se um dos principais focos de atenção dos investidores e analistas que lidam com os países emergentes.
Publicações como o jornal ''Financial Times'' e a revista ''The Economist'' dedicaram editoriais ao assunto. Nos relatórios de bancos, o tema agora é acompanhado diariamente com redobrada atenção. Explicações dos fundos de investimentos para movimentos de venda e compra de títulos brasileiros começam a citar, entre suas explicações, o andamento da crise.
O economista Henry Stipp, do fundo de investimentos Threadneedle Investments, acredita que os números positivos de indicadores como o câmbio não traduzem com clareza o sentimento predominante nos mercados. ''As pessoas estão cada vez mais nervosas, principalmente no mercado brasileiro, mas o fato é que os fluxos para o País continuam fortes e isso dá a impressão que todo mundo está tranqilo'', disse Stipp. ''Aqui fora as pessoas ainda não estão cientes do que está acontecendo no Brasil. Elas olham para os números e dizem tudo bem. Mas será que isso vai continuar por muito tempo?''
Segundo um diretor de um banco europeu com forte presença na América Latina, o ambiente externo tem ajudado muito na manutenção de uma clima de tranqilidade nos mercados diante dos recentes acontecimentos.
Entre os efeitos negativos estão o aumento da incerteza com a eleição presidencial de 2006 e a paralisação do processo de reformas que possibilitariam um maior fluxo de investimentos direcionados ao aumento da capacidade de expansão da economia no médio e longo prazo.


