São Paulo - Seis meses da crise política que veio à tona com as denúncias de pagamento de mensalão na Câmara dos Deputados pelo PT não abalaram o mercado financeiro, mas foram suficientes para esfriar a expectativa do consumidor no terceiro trimestre e neste fim de ano.
A confiança da população, um dos ingredientes fundamentais para impulsionar as vendas, bateu no fundo do poço em outubro. Com isso, o comércio redobrou a cautela nas encomendas e antecipou o clima de Natal, com promoções e decorações. Pressionadas pelo fraco desempenho do terceiro trimestre, algumas redes de lojas foram mais longe: iniciaram na virada do mês liquidações de móveis e eletroeletrônicos, típicas do período pós-Natal.
As indicações agora são de um Natal morno, que, na melhor das hipóteses, deverá apresentar um pequeno crescimento em relação ao mesmo período de 2004, segundo a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio- SP). A entidade está revendo para baixo as projeções de crescimento. No meio do ano, a estimativa era fechar 2005 com crescimento real de 3,5% ante 2004.
Reversão de Tendência O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) calculado pela Fecomércio, por exemplo, mostra com nitidez a reversão das expectativas. Desde agosto o ICC não pára de cair e fechou o mês passado em 108,44 pontos, a menor marca em dois anos, desde outubro de 2003. O ICC varia numa escala de zero a 200 pontos, sinalizando otimismo acima de 100 pontos e pessimismo abaixo de 100.
O resultado do mês passado está dois pontos abaixo da média mensal desde julho de 1994, no início do Plano Real, observa o economista da Tendências Consultoria Integrada, Adriano Pitoli. ''A economia não está espetacular nem ruim em termos de renda e emprego.''
Essa análise é confirmada pela Fecomércio. Conforme o assessor econômico da entidade, Altamiro Carvalho, o que derrubou em quase 20 pontos o indicador nos dois últimos meses foi o recuo das expectativas com relação ao futuro. O índice de confiança para os próximos 12 meses vinha sustentando o indicador geral até o início da crise política e responde pela maior fatia do índice (60%).
Pitoli ressalta que a crise política afetou o potencial de crescimento do País e das empresas, mas pondera: isso não significa que a economia esteja em recessão. O fraco desempenho do terceiro trimestre acendeu sinal de alerta e provavelmente fará com que a consultoria reveja para baixo a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para o ano, que havia sido estimado em 3,2%.

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