Rio A turbulência política afetou a confiança dos consumidores, que consideram a situação econômica do País pior do que há seis meses e estão pessimistas com relação ao semestre seguinte. A Sondagem de Expectativa do Consumidor de junho, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostrou que 36% dos entrevistados avaliam que a situação atual é pior do que há seis meses. O porcentual é o maior registrado desde abril de 2004 (40,9%), quando houve a crise deflagrada pelo escândalo Waldomiro Diniz.
Os juros elevados e a consequente desaceleração econômica são outro motivo apontado para a deterioração da expectativa dos consumidores no País. O economista Aloisio Campelo, responsável pela sondagem, disse que a confiança ''caiu consideravelmente'' e a sua recuperação vai depender diretamente do andamento da crise política e do comportamento da economia.
''A crise política já começou a afetar a confiança do consumidor, sem dúvida'', disse Campelo. No caso da expectativa da situação econômica para os próximos seis meses, em relação ao momento atual, o porcentual dos que acreditam que estará pior subiu de 16,2% em maio para 20,1% em junho, o nível mais elevado desde julho do ano passado. A pesquisa da FGV foi realizada em 1.464 domicílios em 12 capitais, entre os dias 1º e 20 de junho.
Para o economista Fernando Holanda, convidado pela FGV para acompanhar a divulgação da pesquisa, a política monetária também foi fator preponderante para derrubar o otimismo que imperava no início deste ano. ''Esses fatos todos (queda da confiança) mostram que o fato relevante deste ano é a política monetária. Os dados da pesquisa mostram que há um arrocho no Produto Interno Bruto e no emprego e o consumidor sentiu isso'', disse.
Finanças O equilíbrio financeiro das famílias caiu em junho. O balanço das finanças familiares mostra que o porcentual dos que responderam que, comparando receitas e despesas, a situação está equilibrada caiu para 56,8% em junho, ante 60,3% em maio. O porcentual é o menor desde outubro de 2003 (54,4%).
O porcentual dos consumidores que responderam que a família está se endividando também subiu, de 25,9% em maio para 29,5% em junho. Para Campelo, esse aumento dos que estão endividados é mais um sinal de elevação de inadimplência do que de aumento do consumo. Além disso, aumentou o porcentual de consumidores que acreditam que os gastos com bens de alto valor (duráveis, como eletrodomésticos e automóveis) serão menores nos próximos seis meses do que foram nos seis meses anteriores. Em junho, o porcentual foi de 52,9%, ante 50,4% em maio.
Na contramão dos dados negativos, os consumidores pessimistas esperam encontrar uma vaga no mercado de trabalho. Segundo a sondagem, o porcentual dos que acreditam que ''conseguir trabalho nos próximos seis meses em relação às condições atuais'' será mais fácil subiu para 10,2% em junho, ante 6,3% em maio.

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