Crise podia ser evitada, diz Fischer
A crise brasileira teria sido evitada, se as medidas de ajuste fiscal tivessem sido aprovadas há três semanas, disse ontem o vice-diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer. O lado positivo da situação brasileira, segundo ele, é que as medidas, embora com atraso, passaram quase todas pela aprovação do Congresso. Com o esforço de ajuste e uma política monetária crível, clara e transparente, acrescentou Fischer, o governo poderá reconquistar a confiança do mercado. Isso tomará algum tempo, advertiu, e será a condição para o Banco Central (BC) baixar os juros. A crise pode ser superada e o Brasil sairá mais forte, disse.
Fischer participou ontem de um debate sobre as dificuldades da globalização. Só à tarde o nome dele entrou no programa oficial, ao mesmo tempo em que desaparecia o do ministro da Fazenda do Brasil, Pedro Malan. Também apareceu, de improviso o do ministro das Finanças do México, José Gurría Trevino.
Comparações têm sido evitadas em público, mas pelo menos uma semelhança entre Brasil e México foi apontada nos encontros reservados de funcionários internacionais e de autoridades de vários países. O real e o peso afundararam praticamente da mesma forma, depois de uma tentativa sem êxito de ampliar a banda de flutuação. No Brasil, a tentativa durou 24 horas. No México, dois ou três dias.
José Gurría fez uma intensa campanha em Davos para acalmar os investidores em relação ao Brasil. Repetiu para todos os banqueiros que o procuraram que o governo do Brasil está fazendo tudo certo e reafirmou que a flutuação livre do peso foi o mecanismo que funcionou no México após outras tentativas.
Além disso, Gurría frisou a importância de uma política fiscal eficaz que melhore o nível de reservas e poupança do governo, e como fator externo, o impulsionamento dos motores mundiais: Estados Unidos, Japão e Europa.
Gurría voltou a lembrar que só boas e sólidas políticas econômicas não são suficientes para enfrentar a exacerbada volatilidade dos capitais hoje no mundo. Ele frisou que é necessária uma unidade política dentro do país para que se crie um ambiente de credibilidade e confiança no futuro. Não sabem quantas noites de sono perdemos todos nós por causa das medidas que a câmara baixa da Rússia ia tomar entre setembro e outubro.





