O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou ontem que o Brasil enfrenta a crise mais intensa de sua história e que não será uma surpresa se o recuo do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano for o maior desde que começou a contabilidade nacional no País. Em discurso durante evento no Palácio do Planalto, porém, Meirelles disse que o governo em exercício está tomando "medidas concretas", avaliando as razões da crise para solucioná-la.
"Estamos vivendo crise mais intensa da história do Brasil. Vamos aguardar, mas não será surpresa se contração deste ano for a mais intensa desde que PIB começou a ser medido no início do século 20, até maior do que nos Anos 30. É uma crise que gerou 11 milhões de desempregados. Então, nós temos que reverter esse processo", afirmou Meirelles.
O ministro afirmou também que o governo está trabalhando em um "elenco muito forte de medidas" para a retomada do crescimento. "Não tenho a menor dúvida de que, no momento em que tudo isso seja aprovado pelo Congresso, chegaremos nos próximos trimestres a retomar crescimento de forma que pode surpreender", disse. "É possível que tenhamos retomada mais forte", acrescentou o ministro.

Sem Ideologia
Já o presidente interino, Michel Temer, avaliou que a sociedade brasileira quer resultados, não ideologias na área econômica. Em uma crítica indireta à administração anterior, defendeu que o País precisa ser "reinstitucionalizado", porque perdeu-se o respeito pelas instituições nacionais, o que gerou conflitos entre brasileiros. "O primeiro direito social é o emprego e ele só virá se houver a atuação da iniciativa privada. Confesso que essa coisa de ideologia hoje está fora de moda e o que as pessoas querem é resultado", disse.
O presidente interino anunciou que enviará na semana que vem ao Congresso Nacional proposta que estabelece teto de gastos para a máquina pública. Ele enfatizou a importância da paridade entre arrecadação e gasto, fazendo o Brasil volte a "arrecadar um e gastar um". "A limitação de gastos que será revisada apenas em relação à inflação do ano anterior é o que nos permitirá gastar novamente um e arrecadar um", disse.
Segundo ele, se por algum motivo não estiver mais na gestão federal e a equipe econômica for mantida, "o País já estará salvo". Ele lembrou que a administração peemedebista ainda é transitória, mas que tem trabalhado como se fosse definitiva, para evitar que o país pare. E afirmou que a consolidação de novos fundamentos para a economia brasileira não será feita ""e hoje para amanhã". "Não estamos encontrando um País com harmonia social, mas um país com déficit extraordinário e com empresas públicas quebradas", criticou.

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