Crise pode elevar preço do trigo argentino
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quinta-feira, 01 de novembro de 2001
Ana Paula Nascimento<Br>De Londrina 
A crise argentina e a iminente dolarização da economia, podem elevar os preços do trigo que o Brasil importa, admitiu esta semana o analista da Trigonet, Murilo Parada. Segundo ele, confirmando-se a dolarização, os produtos da balança comercial deixam de ser cotados pelo ''pelo fator empalme'', que trabalhava em cima da diferença entre o euro e o dólar. A média da diferença entre o euro e o dólar, comparada com o valor do peso argentino, era reembolsada pelo governo da Argentina, garantindo-se, a princípio, uma maior competitividade de preços para a Argentina.
''Com a dolarização, o exportador argentino deixa de ter esse benefício do governo, que com os valores de hoje seria em torno de 5%, e pode subir os preços em até US$ 2,00 por tonelada (ontem, a tonelada de trigo estava sendo cotada a US$ 126,00/130,00)'', comentou o analista.
''Mas ainda é muito cedo para fazer suposições sobre o andamento da economia se realmente ocorrer a dolarização'', disse Parada. Ele lembrou que há cerca de quatro meses, quando o ''fator empalme'' começou a ser praticado, esperava-se preços mais baixos nos produtos de exportação o que, de fato, não aconteceu. ''Da mesma maneira, com a dolarização, pode não haver altas tão significativas, mas com certeza para o país sairá mais barato importar do que investir na produção interna, o que pode gerar outros problemas para a economia'', destacou.
Para o presidente da Abitrigo, Roland Guth, a dolarização não deverá acarretar grandes mudanças para o setor, já que o trigo argentino já é tabelado em dólar sobre os preços praticados nas Bolsas da Argentina e de Chicago. ''E nos contratos de compra, vale a cotação do dólar, no Brasil, no dia do vencimento dos contratos'', informou Guth.


