A crise no sudeste asiático pode provocar um aumento de pelo menos US$ 1,5 bilhão no déficit da balança comercial brasileira previsto para este ano, basicamente por aumento de importações. Na estimativa divulgada no fim do ano passado pela Associação de Comércio Exterior (AEB), os empresários estavam prevendo um déficit de US$ 2,45 bilhões. Depois da crise, este cálculo foi revisto e, segundo o presidente da AEB, Marcus Pratini de Moraes, somente o aumento das importações de produtos químicos e eletroeletrônicos asiáticos devem elevar para US$ 4 bilhões essa estimativa. Como eles estarão mais baratos que os oferecidos pela indústria brasileira, as importações crescerão em volume.
O efeito indireto da crise asiática sobre o comércio exterior no Brasil deverá afetar principalmente cinco setores, segundo Pratini: frango congelado, celulose, produtos siderúrgicos, calçados e tecidos. Para reduzir o impacto, a AEB vai propor ao governo a adoção da valoração aduaneira para os produtos importados de países asiáticos. Isto significa que o cálculo dos impostos de importação passariam a incidir sobre a média de preço internacional de cada produto e não pelos preços oferecidos pelos países importadores.
‘‘Já temos informações de bobinas de aço que chegam da Coréia por US$ 198 a tonelada, o que representa menos da metade do preço normal cobrado no mercado internacional’’, diz Pratini. Segundo ele, se o Brasil não estabelecer mecanismos mais rigorosos de defesa comercial, correrá o risco de uma grande elevação no déficit da balança. Em 1997, a diferença entre exportações e importações ficou em US$ 8,6 bilhões.
Técnicos da AEB elaboraram um quadro mundial das desvalorizações cambiais e o impacto nos seus preços de exportação nos principais mercados após a crise financeira internacional. De acordo com o levantamento, a Indonésia foi o país asiático que mais sofreu desvalorização dos preços das exportações, por causa das mudanças em sua taxa de câmbio durante todo o ano passado e início deste ano. Os produtos exportados pela Indonésia ficaram cerca de 73% mais baratos.
As desvalorizações nos preços de produtos asiáticos exportados ficaram entre 0,5% e 73%. Houve uma única taxa positiva, de 4,5%, registrada em Hong Kong nesse período. Em contrapartida, os produtos brasileiros registraram desvalorização de 4,9% no mercado internacional, o que os coloca em desvantagem na disputa pela exportação
‘‘O brutal aumento da capacidade exportadora dos países asiáticos irá, naturalmente, elevar a concorrência em outros mercados’’, diz Pratini. Há, também entre os empresários, o receio de uma concorrência maior mesmo no mercado interno, por causa dos preços artificialmente baixos dos produtos da Ásia. ‘‘Com medidas de defesa comercial, o governo pode evitar uma provável inundação de produtos asiáticos no País’’, afirma Pratini.

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