Crise pode afetar abastecimento de trigo
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2002
Vânia Casado 
Curitiba A maioria dos moinhos de trigo do Brasil tem estoques para trabalhar somente até o final do mês. As tradings deixaram de fazer negócios com o Brasil desde a primeira quinzena de dezembro, quando intensificaram os rumores de desvalorização do peso argentino. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo), Roland Gouth esteve ontem, em Brasília, alertando o governo federal da possibilidade de desabastecimento de trigo no País, caso não haja uma solução rápida na economia da Argentina.
Gouth avisou o governo sobre a necessidade de agilizar importações de trigo dos Estados Unidos e do Canadá, já que o Brasil é extremamente dependente do trigo argentino. Cerca de 90% do trigo consumido no País é oriundo da Argentina. Gouth disse que está preocupado com a demora na normalização da economia argentina e com as prorrogações do feriado bancário naquele país, que atrasam ainda as negociações.
O diretor do Moinho Pacífico, de São Paulo, Lawrence Pih, está mais otimista. Ele disse que os negócios fechados, antes da crise argentina se acirrar, estão sendo honrados e está chegando trigo no País, oriundo das compras passadas. O que realmente preocupa é a escassez de vendas futuras e por isso defendeu a ida de Gouth a Brasília.
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, disse ontem acreditar que o Brasil não terá problemas de abastecimento de trigo, em razão da suspensão temporária dos contratos de exportação da indústria argentina. Segundo ele, os embarques de trigo da Argentina para os quais já foram fechados contratos deverão ser normalizados nos próximos dias, quando o câmbio se estabilizar no País vizinho.


