Crise paraguaia não assusta o Paraná
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segunda-feira, 25 de junho de 2012
Victor Lopes <br>Reportagem Local 
A crise política no Paraguai, que culminou com o impeachment relâmpago do então presidente Fernando Lugo, não deve prejudicar as relações comerciais do Paraná com o país vizinho em nenhuma esfera. Pelo menos, esta é a avaliação do secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Ricardo Barros, que pareceu tranquilo com a mudança no governo paraguaio, agora liderado pelo novo presidente Federico Franco.
As relações entre o Paraguai e os outros países da América do Sul começaram a ficar abaladas após o anúncio dos países membros do Mercosul, no último domingo, de suspender os paraguaios de uma reunião de cúpula da entidade programada para esta semana, na qual todos os presidentes devem participar.
Em nota, Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Chile, Colômbia, Peru e Equador optaram conjuntamente em suspender ''o Paraguai de forma imediata por este ato, bem como das reuniões preparatórias''. Individualmente, a grande maioria dos países da América do Sul repudiou o impeachment - que aconteceu em menos de 36 horas.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota, convocou o embaixador do País no Paraguai ''para consultas'' e considerou como ''rito sumário'' a saída de Fernando Lugo. Já a Venezuela, por sua vez, foi mais radical: retirou o embaixador de Assunção e interrompeu o envio de petróleo ao país.
Para Ricardo Barros, é necessário aguardar a reunião de cúpula do Mercosul para avaliar os possíveis desdobramentos de uma crise entre os países. Porém, ele minimizou um possível risco de entrave nas relações comerciais do Paraná com o Paraguai. ''Estou vendo isso com muita tranquilidade. Acredito que esta transição presidencial do Paraguai será pacífica'', comentou.
O secretário não conseguiu elencar setores paranaenses que eventualmente podem ser prejudicados caso aconteça uma crise maior. Disse apenas que uma das grandes parcerias do Paraná no segmento industrial acontece com a Argentina, e que envolve o setor automotivo. ''Nossas relações com o Paraguai eram ligadas a soja, que agora está sendo exportada por eles pelo porto de Mar del Plata, além da Usina Binacional de Itaipu.''
Itaipu, que produziu em 2011 por volta de 92,24 milhões de megawatts/hora é responsável por abastecer 72,91% do consumo de energia elétrica do Paraguai e possui funcionários de ambos os países. Em nota, a diretoria da usina comentou que Itaipu está trabalhando normalmente e que ''já enfrentou outras crises políticas'' sem sofrer nenhum tipo de interferência na produção de energia. ''No que diz respeito aos assuntos diplomáticos, estamos no aguardo dos futuros desdobramentos'', informou a diretoria da hidrelétrica.
A FOLHA também entrou em contato com as Federações da Indústria e da Agricultura do Estado do Paraná (Fiep e Faep) para comentar o assunto, mas até o fechamento desta edição nenhuma das entidades havia dado resposta à solicitação de entrevista.



