Londrina – O mercado imobiliário de Londrina se anima com a instabilidade no mercado financeiro e a busca de alguns investidores por aplicações mais seguras. Diretores de imobiliárias e construtoras consultados pela Folha garantem que houve uma melhora nos negócios nos 10 primeiros dias de junho, logo após as mudanças nos fundos de investimentos que provocaram perdas na rentabilidade e retiradas de dinheiro aplicado.
O diretor da Construtora Plaenge, Roberto Melquíades, diz que se o ritmo de negócios já concretizados em junho for mantido até o fim do mês o volume de vendas será 30% maior do que em maio. ‘‘Pudemos sentir uma procura maior pelos nossos imóveis, além da antecipação de pagamentos que ainda estavam por vencer. Como a Plaenge oferece seguro para garantia do término da obra, nesses dias clientes estiveram na construtora para pagar adiantado com a segurança de receber o imóvel no prazo contratado’’, afirma Melquíades.
O proprietário da Vectra Construtora Ltda., Manoel Luiz Alves Nunes, afirma que houve uma procura ‘‘mais forte’’ por imóveis prontos. Segundo ele, este tipo de imóvel é visto pelo investidor como uma ativo mais seguro. ‘‘O investivor busca no imóvel pronto uma fonte de renda, com o aluguel que ele pode obter’’, comenta.
No entanto, ele observa que neste caso, o retorno com o aluguel é menor do que o proporcionado pelo mercado financeiro. ‘‘O imóvel alugado rende 0,6%, já no mercado financeiro o ganho está em torno de 1,2% ao mês’’, compara.
Nunes afirma ainda que a procura também é por imóveis pequenos, que são mais fáceis de revender. O construtor diz, no entanto, que esse aquecimento que o mercado imobiliário vem experimentando acaba prejudicando o setor. ‘‘Num primeiro momento, essa reação do mercado ajuda, mas depois o aumento de oferta de imóveis acaba derrubando os preços’’, diz.
Na Schietti & Sapia Imóveis, o diretor Antonio Sapia Júnior revela que o último fim de semana ‘‘foi atípico’’, com aumento da procura pelas ofertas anunciadas. ‘‘Já há algum tempo não tínhamos um sábado e um domingo com tantas consultas.’’ Outro diferencial é o crescimento das propostas de transações com pagamento à vista. ‘‘Cerca de 40% das negociações em andamento são para compra com dinheiro. Diminuíram as propostas de permuta, com a colocação de bens de menor valor’’, constata Sapia Júnior. Para ele, ‘‘as pessoas estão inseguras não só com o mercado financeiro, mas também com a situação política do País.’’
O imobiliarista Abílio Medeiros Júnior, da Abílio Medeiros Imóveis, diz que já fechou 30% a mais de negócios nos 10 primeiros dias de junho, comparando-se ao mesmo período de maio. ‘‘O reflexo nos negócios depois das turbulências no mercado financeiro foi perceptível. Pessoas que deixavam o dinheiro aplicado, sem pressa para comprar imóvel e esperando uma bom momento ou oferta, aceleraram a negociação’’, relata. Segundo ele, o perfil do comprador desses imóveis ‘‘é aquela pessoa que procura um investimento e está preferindo não ficar com dinheiro em aplicações bancárias’’.

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