Crise nos fundos anima mercado de imóveis
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segunda-feira, 10 de junho de 2002
Da Redação 
Londrina O mercado imobiliário de Londrina se anima com a instabilidade no mercado financeiro e a busca de alguns investidores por aplicações mais seguras. Diretores de imobiliárias e construtoras consultados pela Folha garantem que houve uma melhora nos negócios nos 10 primeiros dias de junho, logo após as mudanças nos fundos de investimentos que provocaram perdas na rentabilidade e retiradas de dinheiro aplicado.
O diretor da Construtora Plaenge, Roberto Melquíades, diz que se o ritmo de negócios já concretizados em junho for mantido até o fim do mês o volume de vendas será 30% maior do que em maio. Pudemos sentir uma procura maior pelos nossos imóveis, além da antecipação de pagamentos que ainda estavam por vencer. Como a Plaenge oferece seguro para garantia do término da obra, nesses dias clientes estiveram na construtora para pagar adiantado com a segurança de receber o imóvel no prazo contratado, afirma Melquíades.
O proprietário da Vectra Construtora Ltda., Manoel Luiz Alves Nunes, afirma que houve uma procura mais forte por imóveis prontos. Segundo ele, este tipo de imóvel é visto pelo investidor como uma ativo mais seguro. O investivor busca no imóvel pronto uma fonte de renda, com o aluguel que ele pode obter, comenta.
No entanto, ele observa que neste caso, o retorno com o aluguel é menor do que o proporcionado pelo mercado financeiro. O imóvel alugado rende 0,6%, já no mercado financeiro o ganho está em torno de 1,2% ao mês, compara.
Nunes afirma ainda que a procura também é por imóveis pequenos, que são mais fáceis de revender. O construtor diz, no entanto, que esse aquecimento que o mercado imobiliário vem experimentando acaba prejudicando o setor. Num primeiro momento, essa reação do mercado ajuda, mas depois o aumento de oferta de imóveis acaba derrubando os preços, diz.
Na Schietti & Sapia Imóveis, o diretor Antonio Sapia Júnior revela que o último fim de semana foi atípico, com aumento da procura pelas ofertas anunciadas. Já há algum tempo não tínhamos um sábado e um domingo com tantas consultas. Outro diferencial é o crescimento das propostas de transações com pagamento à vista. Cerca de 40% das negociações em andamento são para compra com dinheiro. Diminuíram as propostas de permuta, com a colocação de bens de menor valor, constata Sapia Júnior. Para ele, as pessoas estão inseguras não só com o mercado financeiro, mas também com a situação política do País.
O imobiliarista Abílio Medeiros Júnior, da Abílio Medeiros Imóveis, diz que já fechou 30% a mais de negócios nos 10 primeiros dias de junho, comparando-se ao mesmo período de maio. O reflexo nos negócios depois das turbulências no mercado financeiro foi perceptível. Pessoas que deixavam o dinheiro aplicado, sem pressa para comprar imóvel e esperando uma bom momento ou oferta, aceleraram a negociação, relata. Segundo ele, o perfil do comprador desses imóveis é aquela pessoa que procura um investimento e está preferindo não ficar com dinheiro em aplicações bancárias.


