Curitiba - O investidor que pretende aplicar em ações deve ter muita cautela com a crise que vive a economia norte-americana e que derrubou as principais bolsas de valores. A previsão é que as ações continuem oscilando, com tendência de baixa. ''Se houver recessão nos Estados Unidos, as empresas vão ter que vender ações para compensar prejuízos em negócios como as exportações'', explicou o coordenador do curso de Economia da UNIFAE (Centro Universitário Franciscano do Paraná), Gilmar Mendes Lourenço.
Segundo ele, os papéis mais recomendados neste momento são de empresas que tenham comportamento mais sólido como Petrobras, Vale do Rio Doce, Gerdau, Votorantin, Klabin, entre outras. A dica dele é realizar aplicações de longo prazo, ou seja, de no mínimo cinco anos. ''O poupador deve aproveitar o momento de crise para comprar ações e ao vender daqui cinco anos tem 99% de chance conseguir lucro significativo'', disse. No caso de empresas paranaenses, a aposta é na Copel, segundo ele.
Para quem não entende do mercado acionário, a dica dele é procurar uma corretora de credibilidade ou mesmo os bancos. Lourenço lembrou que os fundos de ações têm rendimento mais estável porque são formados por uma cesta de papéis de empresas com desempenhos diferenciados, com resultado mais linear e sem estarem sujeitos a oscilações bruscas. Por outro lado, aplicar em ações específicas, oferece uma lucratividade maior, desde que seja bem orientado e em empresas com grandes projetos de investimentos para os próximos anos.
Já para o dólar, a tendência é continuar em queda, devido aos juros elevados no Brasil e a entrada de capital especulativo na economia brasileira.
Motivos - Um dos principais fatores que fez as bolsas caírem é a crise do setor imobiliário norte-americano, que teve o ápice no final do ano passado. Isso provocou queda no preço das residências e redução do crédito por parte dos bancos. Segundo Lourenço, este quadro sinaliza a possibilidade de os EUA ingressarem em uma recessão.
As declarações pessimistas recentes da presidência do Banco Central dos EUA (Fed) em relação ao futuro de curto prazo da economia do país também levam as grandes empresas do mundo a reprojetarem seus negócios para 2008 e cogitarem a redução de lucros. Isso faz o preço das ações das empresas caírem no mundo todo.
Além de todo este cenário, o país fechou o ano de 2007 com uma inflação alta na casa de 4,1% contra o patamar de 2,5% em 2006. A inflação foi puxada pelos setores de energia e alimentos. Os economistas chamam este processso de ''estagflação'', combinação de inflação e redução do crescimento econômico, que motivou a queda das ações.

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