Curitiba - A paralisação dos serviços do governo americano pode trazer reflexos negativos para o Brasil, caso se estenda por mais tempo. O principal impacto seria sobre o comércio exterior dentro de um prazo de 60 a 90 dias, se a crise política se alongar mais nos Estados Unidos. Parte dos serviços do governo americano não funcionou ontem porque o Congresso não chegou a um acordo para financiar os gastos públicos de curto prazo.
O professor do curso de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Marcelo Curado, lembrou que a briga de republicanos e democratas já vem desde 2011. Segundo ele, esta paralisação gera incertezas sobre a economia americana. ‘’Quando a economia americana cresce, ajuda a puxar o restante do mundo’’, disse. Ele classificou esta parada nos serviços públicos dos Estados Unidos como um ‘’tiro no p钒 que pode gerar uma profunda instabilidade na economia norte-americana.
Ele acredita que, com isso, o Brasil pode exportar menos para os americanos. ‘’E o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro depende das exportações’’, destacou. Curado disse que o principal problema dos Estados Unidos está no orçamento. Ele lembrou que, na crise de 2008, o país se endividou muito e definiu que, quando chegasse a um determinado teto, cortaria gastos. Agora, o presidente Barack Obama quer um programa de saúde mais amplo e os republicanos não aceitam isso.
Para o presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Paraná, Zulfiro Bósio, a nova crise político-econômica dos Estados Unidos vai afetar o comércio exterior com o Brasil. Ele lembrou que os Estados Unidos são um grande parceiro do País. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, hoje o país norte-americano é o segundo parceiro do Brasil e só perde para a China.
‘’Já estamos com deficit na balança comercial. Com este novo problema, a balança brasileira pode fechar muito negativa’’, disse Bósio. Ainda de acordo com a Secex, o Brasil exportou US$ 16,1 bilhões para os Estados Unidos de janeiro a agosto deste ano e importou R$ 23,9 bilhões, o que dá um deficit de US$ 7,7 bilhões.
Hoje, o País ainda exporta muitos produtos com menor valor agregado para o mercado americano como mercadorias agrícolas, etanol e óleos brutos. Por outro lado, os brasileiros importam itens mais caros como motores e turbinas para aviação, medicamentos, gasolina, óleos combustíveis e produtos eletrônicos. Isso explica, em parte, o deficit comercial.
‘’Já há rumores que esta paralisação pode afetar o Brasil’’, disse o diretor do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Paraná, Ozeil Moura Santos. Segundo ele, os reflexos podem ocorrer em um prazo de 60 dias.
O secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Ricardo Barros, disse que, por enquanto, não vê maiores problemas no comércio bilateral do Paraná com os Estados Unidos. Segundo ele, o Estado negocia bastante com outros parceiros como a China, os países do Mercosul e da Europa. No entanto, acredita que os empresários paranaenses devem ficar atentos à paralisação nos Estados Unidos.

Imagem ilustrativa da imagem Crise nos EUA deve afetar comércio exterior brasileiro



Leia a reportagem completa:

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