Crise nos EUA desacelera economia brasileira
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domingo, 20 de janeiro de 2008
Marcelo Rehder<br> Agência Estado 
São Paulo - O aprofundamento da crise nos Estados Unidos levou a iniciativa privada a prever um ritmo menor de crescimento para a economia brasileira em 2008. Empresários e economistas já acreditam que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) fique entre 4% e 4,5%, contrariando o otimismo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que mantém a projeção de 5% feita antes da deterioração do quadro externo.
Para o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Júlio Sérgio Gomes de Almeida, hoje consultor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o cenário que se tinha para a economia ganhou contornos bem menos favoráveis em poucas semanas. ''Nunca houve uma virada de ano, pelo menos que eu me lembre, em que a reversão de expectativas foi tão forte como agora'', diz Gomes de Almeida. ''Dos fogos pelo ano que passou à apreensão pelo que pode vir, a mudança foi muito brusca.''
Segundo ele, se levar em conta apenas os fatores internos, como as forças da indústria, a oferta de crédito farto e o crescimento do emprego e da renda, as condições estariam dadas para se manter um crescimento de 5,5%, repetindo o desempenho esperado para 2007. Mas as mudanças nas condições externas tornam inevitável uma revisão do PIB. ''Os perigos de que o Banco Central venha a aumentar a taxa de juros, devido à inflação dos alimentos e aos problemas da retração da economia americana, nos levam a pensar numa taxa menor, na faixa de 4%'', diz.
Um dos temores é que o agravamento da crise aumente a aversão ao risco e acelere ainda mais a saída de recursos estrangeiros do País, o que pressionaria a taxa de câmbio. O dólar muito valorizado seria mais um fator a empurrar para cima os índices de inflação, que já preocupam o Banco Central.
''A hipótese de que o Brasil entre em um ciclo recessivo não tem fundamento, mas é muito provável que a taxa de crescimento seja mais moderada por conta dos sinais de turbulência que estão cada vez mais nítidos'', diz Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio do Estado de São Paulo.
Para ele, não se pode desconsiderar a importância que os EUA ainda têm na economia mundial. ''Sozinho, o PIB americano representa 25% da economia global, enquanto os principais países emergentes juntos têm uma participação de 11% do bolo, e seu crescimento sempre esteve atrelado ao desempenho dos EUA.''
Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), afirma que nenhum país está imune aos efeitos da crise americana. Segundo ele, o Brasil, numa escala mundial, é menos afetado que a média porque a fatia dos EUA nas exportações do País é baixa, de 15%. ''Em vez de 5%, vamos crescer 4,5% este ano.''


