Crise no Sudeste Asiático afeta exportação brasileira de frangos
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sexta-feira, 31 de outubro de 1997
Guto Rocha Londrina 
ArquivoBarrados na ÁsiaNosso frango se tornou mais caro com a desvalorização da moeda dos concorrentesA crise que se abateu sobre os países do Sudeste Asiático há cerca de 60 dias e que acabou culminando nas quedas nas bolsas de valores em todo o mundo refletiu negativamente nas exportações brasileiras de frangos para aquela região do mundo. Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), Cláudio Martins, o volume de frangos embarcados para o Sudeste Asiático nos meses de agosto e setembro deste ano recuaram 12% em relação ao ano passado. Esta queda, segundo Martins, representa uma perda de 32% na receita cambial, ou seja, US$ 14 milhões deixaram de entrar no País.
A redução das exportações de frango está desvinculada dos problemas de queda nas bolsas de valores, afirma Martins. A redução nos embarques, segundo ele, foi provocada pela desvalorização das moedas naqueles países, que caíram mais de 40% em relação ao dólar.
Martins explica que com a desvalorização das moedas, os importadores asiáticos, principalmente o Japão, desviaram suas importações do Brasil para a Tailândia e China. Com a desvalorização ocorrida na Tailândia, o frango lá ficou cerca de 20% mais barato do que o produto brasileiro, o que acabou atrapalhando as nossas vendas, comenta.
O diretor-executivo da Abef afirma que o problema já começa a atingir os negócios brasileiros com o mercado europeu. Apesar da qualidade inferior do frango produzido na Sudeste Asiático, os preços menores estão atraindo os compradores da Europa, diz.
Martins observa que as exportações brasileiras de frango para mercado global tiveram uma queda de 6% no volume embarcado e de 15% na receita cambial no mês de setembro. Mas segundo ele, no acumulado do ano, os embarques de frango somam 488 mil toneladas, com um crescimento de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, com uma alta de 12% na receita, que soma US$ 670 milhões.
Apesar das quedas das exportações para a Ásia, que segundo Martins deve continuar pelo menos nos próximos três meses, as exportações brasileiras este ano devem crescer 30% em relação ao ano passado. Vamos aguardar o fechamento do mês de outubro para ver o desempenho das exportações, mas a nossa expectativa é de que haja um crescimento em relação a setembro, afirma. A previsão da Abef é de que os embarques de frangos em 1997 fiquem entre 650 mil e 750 mil toneladas, com uma receita cambial de US$ 1 bilhão.


