Crise no setor têxtil resulta em protestos
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terça-feira, 05 de setembro de 2006
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
A indústria têxtil e de confecção realizou ontem manifestações nas principais regiões do País para chamar a atenção do governo para os problemas que têm tirado a competitividade do produto brasileiro. Entre eles, a falta de acordos comerciais com os principais mercados do mundo, a valorização do real frente ao dólar, as importações asiáticas ilegais e a alta carga tributária.
De acordo com o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, a indústria têxtil e de confecção no Brasil é moderna e competitiva, mas está enfrentando dificuldades conjunturais. Segundo dados da Abit, o setor têxtil já demitiu mais de 260 mil pessoas desde 2002 e continua a sofrer com queda das exportações e aumento das importações.
O setor propõe a discussão de três pontos fundamentais: o controle rigoroso das fronteiras do país (para combater as importações ilegais), a desoneração tributária e o combate à sonegação e à informalidade dos negócios. De acordo com Pimentel, a indústria têxtil brasileira é a sétima maior do mundo, empregando atualmente 1,6 milhão de pessoas.
Em Londrina, não houve paralisação ou manifestações externas de patrões e funcionários do setor têxtil. No entanto, o dia de ontem serviu para que representantes do setor pudessem apresentar através de conversas dentro das empresas e divulgação de material para a imprensa, a situação pela qual o segmento tem passado nos últimos meses.
Segundo Marcos Koslovski, presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário em Londrina (Sivepar), assim como outros setores industriais, as empresas têxteis têm passado por crises desde o início do ano 2000, acarretada pelas altas cargas tributárias e a taxa cambial, entre outros itens.
Ele ressaltou que este ano o problema se agravou e que o segmento vai fechar o período com 40% menos de exportação. Em 2005, as indústrias de todo o País exportaram R$ 2,5 bilhões, e este ano o montante sofrerá uma redução de pelo menos R$ 900 milhões. ''O governo precisa entender que esse é um dos setores que mais empregam'', frisou o presidente do Sivepar.
Conforme Koslovski, Londrina e região empregam cerca de 20 mil trabalhadores. As 405 indústrias instaladas na região têm capacidade produtiva de mais de 11 milhões de peças por mês. Somente em Londrina existem 140 empresas, com mais de 6 mil empregados que produzem cerca de 2 milhões de peças. (Com Agências)


