Crise no setor avícola provoca demissões nos abatedouros do PR
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quarta-feira, 21 de junho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
A redução nos alojamentos de aves está provocando a demissão de funcionários nos de frango. Ocorre que o setor cresceu muito, entre 7% e 10% ao ano, nos últimos quatro anos, e a produção está acima da capacidade de consumo. Ao mesmo tempo, as exportações tiveram uma queda, motivando sobra maior de produto no mercado interno.
A cooperativa Copacol, de Cascavel, que investiu numa planta industrial para abate de aves, agora está direcionando seus investimentos para outros setores. A Globoaves, de Cascavel, que produz pintos de um dia, já demitiu 200 dos seus 1.350 funcionários das unidades do Paraná, São Paulo e Mato Grosso.
O presidente da Avipar, Paulo Muniz, disse que as demissões são inevitáveis. Ele lamentou que o setor tenha crescido tanto nos últimos anos, sem dimensionar a capacidade de consumo no país. Foi puro autofagismo, assinala. Segundo ele, há empresas diminuindo em 30% o volume de abates, um número impossível de se evitar demissões, admite.
O fato é que vivemos um período de recessão, afirma. Segundo ele, o maior volume de comercialização se dá nos primeiros dias do mês, quando sai o salário, declinando em seguida com o passar dos dias. Isso evidencia claramente que é uma questão de falta de salário e de dinheiro para elevar o consumo, conclui. Muniz avisa que infelizmente o setor vai continuar reduzindo os alojamentos até atingir o ponto de equilíbrio. A expectativa dos empresários para atingir um ponto de remuneração é vender o frango abatido por 1,40 o quilo. Atualmente estão vendendo por R$ 1,10 o quilo. Os frigoríficos menores, com pouco poder de barganha, estão entregando por R$ 0,90 o quilo.
Para o proprietário da Globoaves, Roberto Kaefer, o ponto de equilíbrio só será atingido quando os frigoríficos consumirem entre 230 a 240 milhões de pintinhos. Antes da redução, o setor estava produzindo até 280 milhões de pintinhos e no mês passado, a produção já foi menor, em torno de 260 milhões de pintinhos, com 27 dias de alojamento. No mês de abril, foram produzidos 262
milhões de pintinhos com 25 dias de alojamento.
Para junho, espera-se uma redução para 250 a 253 milhões de pintinhos, o que estará mais próximo do ideal na avaliação de Kaefer. A Globoaves produz cerca de 6% da produção nacional. Outro efeito da crise, além da redução no alojamento de pintinhos é a eliminação de matrizes. Antes não se eliminava uma matriz com menos de 65 semanas. Agora, elas estão sendo eliminadas quando completam 58 semanas.


