A saúde da economia japonesa, precária nos últimos anos, tende a degradar-se e, segundo economistas, os sócios asiáticos do Japão e os do resto do mundo não estão livres de um contágio. ‘‘A economia japonesa encontra-se estagnada há uma década e as tentativas dos sucessivos governos para reativar a máquina através de gastos orçamentários terminaram em fracasso’’, opinou Rob Scott, economista do Instituto de Política Econômica (IPE) de Washington.
‘‘Se a economia japonesa desmoronar, isto terá seguramente um impacto negativo na região’’ e em particular nas economias do Sudeste asiático, disse o analista, que não descarta uma nova crise financeira como a que afetou a Tailândia em 1997 e arrastou depois a Indonésia e a Coréia do Sul.
Esta crise teve repercussões posteriores na Rússia e na América do Sul, especialmente no Brasil, que precisou ser socorrido por um plano internacional urgente de resgate financeiro.
‘‘A economia japonesa é a segunda mais importante do mundo e seu desmoronamento teria enormes consequências na Região e nos Estados Unidos’’, reafirma Sherman Katz, economista do Centro de Estudos Internacionais e de Estratégia (CEIE).
Em janeiro, o diretor geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Kohler, destacou que uma alta da economia japonesa, mesmo débil, teria ‘‘uma influência estabilizadora sobre a região’’.
No Sudeste Asiático e na China, o Japão é um investidor importante e ‘‘um descalabro significativo (de sua economia) levaria a uma diminuição desses investimentos, o que não seria bom para a região nem para os Estados Unidos’’, explicou Katz.
‘‘Na região, esses fluxos de investimentos contribuem para o crescimento econômico, que ajuda consequentemente a estabilidade política’’, destaca o especialista.
Na sexta-feira, a coalizão governamental japonesa tomou medidas de emergência com o objetivo de evitar uma deterioração maior da economia. Ao mesmo tempo, pressionou o banco central para distender sua política monetária, que não pode ser muito mais flexibilizada, já que sua taxa diretora está em um nível de 0,25%.
De fato, ‘‘as autoridades japonesas têm uma pequena margem de manobra para estimular’’ o consumo interno e relançar a atividade econômica, disse Jay Bryson, economista da First Union, ao destacar que ‘‘a economia japonesa permanecerá provavelmente fraca até que o crescimento mundial se reinicie.’’
Enquanto continua a espera, o resto do mundo e em particular os Estados Unidos estão sob a ameaça direta de uma recessão no Japão e do rompimento dos fluxos financeiros provenientes do arquipélago.

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