Crise no campo afeta exportações do PR
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sexta-feira, 01 de julho de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A crise no campo está tão grave que já estão aparecendo os primeiros sinais de queda de renda. Só nos primeiros cinco meses do ano, o Paraná já perdeu 1% das exportações em relação ao mesmo período do ano passado, por causa da queda de faturamento do agronegócio, disse o presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski.
Por causa desse desempenho, a participação do Paraná nas exportações brasileiras caíram de 9,74% no ano passado para 8,74% este ano. O espaço perdido está sendo ocupado por outros produtos em outros estados. ''Essa queda é péssima para o Paraná, que tem 60% de suas exportações em produtos do agronegócio'', avaliou Koslovski.
Por causa das evidências de crise e queda de renda, Koslovski acredita no atendimento, mesmo que parcial, das reivindicações do campo apresentadas ao presidente da República e sua equipe econômica, durante o ''tratoraço''. Apesar das medidas não terem sido implementadas oficialmente em função de tumulto gerado em Brasília, as lideranças paranaenses fizeram uma avaliação positiva do movimento.
Os agricultores estão apostando na liberação de R$ 3 bilhões em recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que serão repassados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social e Econômico (BNDES), para financiar a prorrogação de dívidas na compra de insumos, máquinas e equipamentos. Ficou pactuado que os juros cobrados nessas operações será de 13,75% anuais, sendo a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais juros.
''Se o governo não atender as reivindicações, a situação no campo ficará péssima'', admitiu Koslovski. Mas as lideranças não arriscam promover um novo ''tratoraço'', por temerem uma perda de controle do movimento. Na quarta-feira, as lideranças quase perderam o controle sobre os 22 mil agricultores que levaram à Brasília'', admitiu o diretor da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), João Luiz Biscaia.
Para garantir a mesma receita do ano passado, o setor do agronegócio elevou os volumes embarcados. Este ano, no período de janeiro a maio, foram exportadas 1,78 milhão de toneladas de soja em grão que renderam uma receita de US$ 401 milhões, enquanto no mesmo período do ano passado foram embarcadas 1,32 milhão de toneladas com receita de US$ 375 milhões.
''Tivemos que exportar mais 400 mil toneladas de produtos para ter uma receita de apenas US$ 26 milhões a mais, o que demonstra que estamos perdendo renda'', observou. Para Koslovski, o desempenho das exportações de farelo de soja foi ainda mais assustador.
Nos primeiros cinco meses deste ano foram exportadas 1,7 milhão de toneladas de farelo, que renderam um faturamento de US$ 338 milhões. No mesmo período do ano passado, foram embarcadas 1,43 milhão de toneladas que geraram uma receita de US$ 335 milhões.''O volume teve que ser elevado em 330 mil toneladas de farelo para a receita empatar.''


