Dentro de três ou quatro meses a crise financeira mundial, que começou nos Estados Unidos e se espalhou por inúmeros países, deve ser superada no Brasil. A afirmação positiva é do pós-doutor em economia Adolfo Sachsida, também pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e professor da Universidade Católica de Brasília, que está em Londrina participando da XIX Semana da Economia, que começou ontem e termina na sexta feira, no Centro de Eventos do Catuaí Shopping.
  Segundo ele, a crise seria ainda mais passageira se o governo não tentasse interferir na economia, como tem feito nas últimas semanas. ‘‘O governo tem tomado as medidas erradas’’, afirmou. Uma delas, conforme o economista, é a operação de ‘‘swap cambial’’, que é uma cobertura contra a desvalorização do real. Ele explica que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, costuma dizer que o Brasil está blindado porque tem mais de US$ 200 bilhões em reserva - e que podem ser colocados no mercado em operações de ‘‘swap’’. ‘‘Está errado, isto não é blindagem. A blindagem correta que o Brasil tem hoje é um coisa chamada câmbio flexível. Esse mecanismo garante que o Brasil não sofra ataques especulativos’’, observou o professor.
  Ele reiterou que se o País mantiver o câmbio flexível vai estar seguro diante da crise. Sachsida explicou que esse mecanismo tem algumas vantagens, entre elas o aumento das exportações. ‘‘Quando o real está desvalorizado, as exportações podem aumentar, então, beneficia outros setores’’, enfatizou. Mas, quando o Banco Central faz uma operação de swap, argumentou o economista, está querendo fixar o câmbio. Logo, impedindo parte da movimentação econômica.
  Outro fator que, do ponto de vista de Sachsida, pode impedir que o Brasil saia mais rápido dessa crise, é que o governo está tentando fazer os bancos emprestarem, liberarem crédito. Porém, comentou ele, os bancos estão agindo com cautela, diminuindo os empréstimos porque o período é de crise e de se analisar muito bem as medidas.
  De acordo com ele, até o apoio do governo americano aos bancos daquele país é questionável, apesar de lá a situação ser um pouco diferente da daqui, principalmente porque foi o país que desencadeou a crise. Muitas pessoas, inclusive profissionais que ganharam o prêmio Nobel de economia, se manifestaram contra a posição do governo americano, observou o especialista.
  ‘‘Não há consenso se essa ajuda deveria ser dada. Mas se for olhar bem, os Estados Unidos passariam por uma crise porque algumas pessoas erraram e isso tem um preço’’, reforçou, destacando a crise do subprime americana, a qual tem relação com a venda desenfreada de imóveis, sem consultar as possibilidades de pagamento do tomador de crédito e ainda a juros mais altos do que o normal.
  Sachisda frisou que a crise atual, ao contrário do que muitas pessoas pensam, é bem diferente da de 1929, quando os Estados Unidos ficaram ‘‘quebrados’’. Na época, destacou, havia uma situação chamada padrão ouro ou câmbio fixo, que previa que o Banco Central americano só podia emitir dólares se tivesse o correspondente em ouro nas reservas.
  Porém, naquele ano, os Estados Unidos começaram a ter déficit na balança comercial, pois estavam importando mais do que exportando e tinham que pegar o ouro do país e mandar para a Europa, o que diminuia as reservas de ouro e obrigava o governo a reduzir a quantidade de dólares. ‘‘Foi isso que gerou a crise de liquidez de 29. Mas hoje, o câmbio é flexível e o que impulsionou a crise atual foi que muita gente apostou errado, durante muito tempo, querendo lucrar muito com alguns negócios’’, disse.
  O economista comentou que é complicado se falar em crise agora, se comparado com 29, pois naquela época 1/4 dos americanos ficaram desempregados, muito diferente do que está acontecendo. ‘‘Na pior das hipóteses, o PIB americano em 2009 deve cair 1%, atualmente o volume é de US$ 14 trilhões, é uma queda muito pequena. Em 29 é que foi uma depressão total’’, garantiu.

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