Crise não preocupa investidor, diz Furlan
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segunda-feira, 04 de julho de 2005
Carmen Pompeu<br>Agência Estado 
Fortaleza O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, disse ontem em Fortaleza que os ''números da economia são muito saudáveis'' e, por isto, os investidores estrangeiros não estão preocupados com a crise política enfrentada pelo PT e o governo.
''É só ver nos jornais que o Brasil tem um superávit comercial de US$ 38 bilhões até junho, em 12 meses. Mais do as notícias da crise, os investidores olham os números, que falam mais forte'', comentou Furlan. Ele manteve a previsão de taxa de crescimento econômico acima dos 4% para este ano.
Durante palestra para empresários que participam do 23º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, no Centro de Convenções de Fortaleza, Furlan chegou a ser questionado pelo vice-presidente da Confederação da Indústria Alemã (BDI), Michael Rogowski, se haveria a possibilidade de o governo brasileiro reduzir a taxa de juros (de 19,75%), considerada por ele muito alta. ''Eu vejo sim esta possibilidade. Mas não sei quando'', respondeu Furlan.
O ministro classificou de inesperada, até para analistas brasileiros e estrangeiros, a alta do real em relação a moedas estrangeiras como o dólar, o iene e o euro. E disse a Rogowski estar aberto a sugestões, desde que não sejam propostas para reduzir o volume das exportações. ''Minha sugestão é baixar a taxa de juros. Simplesmente, baixar a taxa de juros'', insistiu o vice-ministro alemão. Perguntado se estaria demissionário na reforma ministerial que será anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Furlan afirmou que está cumprindo a agenda, ''trabalhando com foco no resultado''. ''É isto que nos move'', disse.
O Encontro Brasil-Alemanha termina hoje. Segundo o ministro, estão sendo fechados negócios nas áreas industriais (siderurgia, pneus, metal-mecânico), tecnologia, serviços, turismo e infra-estrutura. Destaque para o biocombustível, onde o Brasil vai produzir biodiesel e a Alemanha, metanol. Para o ministro o encontro ''é a ocasião que cada país tem para se conhecer melhor e poder criar oportunidades para negócios, proporcionando desenvolvimento para os dois lados'', aposta.
Furlan anunciou a inauguração, no segundo semestre deste ano, de um entreposto aduaneiro brasileiro na Alemanha. ''Será para que centenas de empresas brasileiras possam expor seus produtos e tenham estoque para a pronta-entrega''.


