Ricardo Leopoldo
Agência Estado
  São Paulo - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem, em São Paulo, que, apesar de o Brasil registrar a partir de agora um crescimento menor do que apurava antes da piora da crise financeira internacional, não há necessidade de interrupção do crescimento, como deve ocorrer em outros países. De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), os Estados Unidos, a zona do euro e o Japão devem exibir taxas negativas de expansão em 2009 em função da queda do nível de atividade provocada pelo credit crunch.
  ‘‘Para que possamos garantir a continuidade (do crescimento sustentável), é preciso que os governos (federal e estaduais) tomem iniciativas no sentido de atender os vários setores que estão apresentando um estrangulamento momentâneo das linhas de crédito’’, afirmou, durante solenidade realizada no Palácio dos Bandeirantes, no período da tarde. O ministro fez os comentários no evento no qual o governador José Serra (PSDB) anunciou a liberação de R$ 4 bilhões pela Nossa Caixa às financeiras de montadoras para que essas instituições repassem o crédito aos consumidores afim de elevar as vendas de carros baseadas em financiamentos.
  Em seus comentários, Mantega frisou que há harmonia entre as medidas que os governos federal e de São Paulo adotam para estimular o nível de atividade e diminuir ao máximo os efeitos da crise sobre a economia brasileira. O ministro ressaltou que, na semana passada, o Banco do Brasil (BB) adotou uma ação semelhante com a liberação de R$ 4 bilhões para a indústria automobilística através dos bancos das montadoras de veículos. ‘‘Já estamos com o conjunto de medidas que deve dar à indústria automobilística brasileira condições para que continue com crescimento bastante razoável, de forma a (manter-se) como uma das maiores do mundo.’’ Segundo ele, a indústria automobilística brasileira pode manter-se como o sexto maior mercado de produção veículos do mundo.
  De acordo com o ministro, como o Brasil deve continuar crescendo enquanto outros países registrarão taxas negativas de expansão em 2009, a indústria automobilística terá no País bons resultados. ‘‘No Brasil, podemos manter aquilo que conquistamos, que é pelo menos o patamar de venda de 3 milhões de veículos ao ano. E depois, vamos acelerar na medida que a situação se normalizar.’’
  O ministro ressaltou que, apesar da crise financeira internacional causar efeitos em todo o mundo, inclusive ao Brasil, especialmente com a redução de liquidez no sistema financeiro, o País tem condições econômicas e financeiras sólidas acumuladas nos últimos anos.

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