Crise não muda cenário do setor
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segunda-feira, 08 de agosto de 2011
Ana Conceição <br> Agência Estado 
São Paulo - A crise internacional não muda o quadro desenhado para o agronegócio e para a demanda por alimentos nos próximos anos, segundo avaliação do economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados. Para ele, caso os Estados Unidos e alguns países europeus entrem em recessão, pode haver uma freada nas economias do mundo emergente. Mas esses países continuarão puxando a demanda por comida. ''A renda e o consumo devem seguir aumentando nesses países. O mercado chinês e asiático tem um bocado para avançar''.
Ele também avaliou que o dólar deve continuar fraco, o que beneficia os preços dos produtos negociados nessa moeda, caso das commodities agrícolas. ''A evolução da gestão da crise sugere que o dólar permanecerá frágil. E a fraqueza do dólar ajuda a dar piso para as commodities.''
No médio e longo prazos, Mendonça de Barros prevê que as mudanças estruturais no mercado de alimentos, como a adoção de biocombustíveis pelo mundo, também serão fatores de sustentação das cotações agrícolas. ''Os preços se alteraram no século 21 porque a demanda passou a mandar no mercado.''
Mendonça de Barros disse que o cenário de consumo forte de alimentos deve continuar por mais dez anos, a depender do crescimento da China e outros asiáticos e da demanda por energia. ''As condições de demanda são de tal natureza que, para alterar isso, teríamos que desmontar o cenário asiático'', diz. Numa perspectiva de queda dos preços do petróleo tipo Brent, para níveis entre US$ 80 e US$ 100, os preços das commodities poderiam ser mais afetados - hoje o barril para setembro fechou a US$ 103,74. Neste caso, ponderou, a queda dos preços dos fertilizantes e do custo de transporte poderia compensar o recuo das cotações agrícolas.


