Ribeirão Preto - A crise que se instalou sobre o setor sucroenergético em 2014, motivada pela queda de preços nos mercados de açúcar e etanol, não deve influenciar as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas, segundo avaliam algumas empresas consultadas pela FOLHA durante a 21ª Feira Internacional de Tecnologia em Ação (Agrishow), que terminou ontem, em Ribeirão Preto (SP).
Segundo Luiz Feijó, responsável pelo departamento de vendas da New Holland, as dificuldades financeiras e de produção enfrentadas pelo setor sucroalcooleiro não deverão afetar a comercialização de tratores. O motivo, explica ele, é que o segmento demanda uma renovação constante de frota, já que o uso desses equipamentos, principalmente em período de colheita, é muito intenso, reduzindo a vida útil dessas máquinas.
Ele afirma que o setor não pode ser sucateado porque a eficiência dos equipamentos reflete diretamente na produtividade de um canavial. "Uma ou outra usina poderá deixar de comprar", acredita Feijó. Ao todo, o setor sucroalcooleiro representa entre 10% e 15% do mercado de tratores da New Holland. "Não tem como uma usina parar de comprar, só se encerrar a atividade", completa.
A mesma opinião tem o diretor de vendas da John Deere, Rodrigo Junqueira. Segundo ele, mesmo em um momento difícil, as usinas precisam buscar novas tecnologias para fomentar a produtividade. De acordo com o dirigente, é preciso renovar constantemente o maquinário e investir sempre na capacitação dos profissionais que trabalham com elas. Questionado sobre o mercado paranaense, Junqueira observa que o Estado está em ascensão na produção de cana-de-açúcar e a empresa conta com um time de revendas que atuam principalmente no Norte e Noroeste do Estado.

Queda
Contudo, nem todos estão otimistas em relação ao mercado de máquinas agrícolas voltado para o setor sucroalcooleiro. A Valtra estima uma queda de 17% a 20% nas vendas de tratores para o segmento neste ano. Paulo Beraldi, diretor comercial da marca, avalia que não é a primeira vez que a crise abala as vendas de máquinas para as usinas. "Mas acredito que esta crise é pontual", destaca.
Beraldi salienta que as vendas de máquinas têm grande potencial de crescimento depois que esta crise de preços passar. "Levamos para o cliente produtos que reduzem os custos de produção", completa.
O desestímulo do setor pode ser percebido pelo último levantamento de safra na região Centro-Sul, realizado pela União das Indústrias de Cana de Açúcar (Unica). Segundo a entidade, a área preparada para o plantio de cana de 18 meses caiu 27% neste ano se comparado a 2013. A instituição estima que, devido à crise, até o final deste ano 58 usinas podem ser fechadas no Centro-Sul. Só no Paraná duas unidades já encerraram suas atividades.

O repórter viajou a Ribeirão Preto a convite de um pool de empresas

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