A crise financeira que atinge fortemente os países emergentes não vai alterar os planos do grupo Renault na América Latina, na Ásia e Rússia, mas poderá haver uma adaptação de ritmo à realidade atual desses países, cujas economias encontram-se sob grande impacto.
Isso foi o que revelou ontem, numa longa entrevista à televisão francesa, às vésperas da abertura do Salão do Automóvel de Paris, o presidente do grupo Renault, Louis Schweitzer. O grupo Renault não renuncia a seus projetos nos países emergentes, inclusive no Brasil (onde a empresa inaugura em dezembro sua primeira fábrica) e também nos outros países do Mercosul.
Schweitzer explicou que esses países sofrem altos e baixos e quando um grupo como Renault investe num país emergente deve levar em consideração esse tipo de evolução, tendo acrescentado: ‘‘Uma grande empresa precisa assumir riscos, mesmo sendo riscos calculados’’.
O presidente do grupo Renault anunciou também ter lançado um desafio ao departamento técnico do grupo para conceber um carro adaptado a esses mercados emergentes, onde a mão-de-obra é mais barata, mas cujo poder aquisitivo é inferior ao da Europa. Schweitzer disse tratar-se de um veículo que vai custar ao consumidor por volta de 30 mil francos (6 mil dólares), um carro para países onde o nível de vida médio é a metade do europeu’’.
O verdadeiro desafio é o de conceber um veículo mais barato, mas com todos os recursos técnicos mais modernos. Ele se defendeu também das críticas da progressiva transferência de unidades do grupo para países emergentes, onde a mão-de-obra é mais barata, prejudicando o nível de emprego na França.
Segundo ele, quando o grupo Renault abre uma montadora no Brasil não prejudica o nível de emprego na França, mesmo porque as peças dos carros construídos no Brasil serão fabricadas na França. Quanto a volta de Renault à ‘‘F1’’, o presidente prometeu que isso ocorrerá quando o grupo estiver convencido que volta ganhando.

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