Crise não afeta mercado de brinquedos
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sexta-feira, 18 de junho de 2004
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
Nem a manutenção da taxa Selic e a queda no poder aquisitivo do trabalhador desestimulam a indústria de brinquedos brasileira que espera crescer 6% este ano. Essa perspectiva baseia-se na ''caça'' aos 1,2 mil lançamentos que devem muito ao apoio da mídia. Homem-Aranha, Shrek e Scooby-Doo são exemplos de protagonistas do cinema que rapidamente encabeçam a lista dos mais vendidos.
Segundo Synésio Batista da Costa, presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos, o último trimestre do ano é a melhor fase para o setor que vende 35% da produção no dia das crianças e 30% no Natal. ''Apesar das dificuldades, ainda estamos dentro dos limites'', acrescentou Costa ao reclamar da estagnação da economia e desemprego.
A Gulliver é uma das raras exceções desse cenário. Nos últimos cinco anos, a empresa®MDNM¯ quase dobrou seu faturamento e hoje figura entre os cinco maiores fabricantes nacionais. ''Este ano, colocaremos no mercado mais 180 itens de lançamentos distribuídos por, aproximadamente, 15 linhas de produtos nacionais e importadas. Queremos que este seja o 'Ano Gulliver'!'', disse Paulo Benzatti gerente nacional de vendas da empresa que estima um aumento de 15% para 2004 em relação ao ano passado, cujo faturamento foi de R$ 30 milhões.
Entre janeiro e maio, o setor exportou US$ 35 milhões, principalmente, para o hemisfério Sul. Com o fechamento de novos contratos, ainda em 2004, a indústria deve elevar essa cifra em 42% no próximo ano. A boneca Susi, da Estrela, está preparando as malas para desembarcar nas lojas da China a partir de outubro com vestidos assinados pelo estilista Ocimar Versolato. Atrás dela irão outras criações nacionais que darão passagem ao Brasil para brinquedos chineses mais baratos.
Esse convite é, com certeza, resultado do sucesso que a boneca fez no último Natal, em Nova York (Estados Unidos). Três modelos Susi desfilaram figurinos de roupas infantis na loja da Saks da 5 Avenida com a grife Caterine by NYC, desenhados pela estilista brasileira Caterine Stewart. O prestígio de Susi coincide com a decadência da Barbie, megastar da Mattel, que enfraqueceu com o surgimento da boneca Bratz em 2001, da MGA Entertainment. No primeiro trimestre deste ano, as vendas globais da Barbie caíram 6% em relação ao mesmo período de 2003 e forçaram sua fabricante a rejuvenescê-la e encerrar seu namoro com o boneco Ken.
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