Crise não afasta montadoras do Brasil
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terça-feira, 29 de setembro de 1998
Agência Estado 
A crise parece não ter ainda abalado a indústria automobilística mundial. As montadoras contam com crescimento de 4% no mercado europeu este ano. Admitem que o resto do mundo não vai tão bem. Preocupam-se com a queda de vendas no Brasil, mas continuam apostando no emergente mercado do Mercosul, injetando investimentos no Brasil e Argentina, na expectativa de que, a longo prazo, esse mercado emergente abrigue as oito novas grandes montadoras que estão estreando fábricas na região.
Na série de entrevistas coletivas feita ontem pelos maiores produtores de veículos do mundo, no primeiro dia dedicado à imprensa na véspera da abertura do Salão Mundial do Automóvel de Paris, os executivos reiteraram as apostas no Mercosul como mercado prioritário.
A Renault, que vai inaugurar sua fábrica brasileira na primeira semana de dezembro, pouco depois de eleito o presidente da República que governará a partir de 1999, incluiu no seu projeto desde o início a previsão de que o crescimento do Brasil não seria linear, segundo o diretor-geral da Renault, Carlos Ghosn.
Ocupando o segundo cargo mais importante na cúpula mundial da montadora francesa, este brasileiro diz que a companhia não está feliz por começar a operar a sua fábrica brasileira em meio à crise. Mas garante que isso não altera os investimentos, que somam US$ 750 milhões.
Ghosn cobra, no entanto, que o País reduza o déficit fiscal. A grande pergunta hoje no setor é como ficará o Mercosul e nós estamos rezando para que o Brasil, que tem um potencial enorme, resolva o déficit público. O Brasil não pode ser visto simplesmente como um país, mas sim como o maior contribuidor do Mercosul e os interesses de toda a indústria automobilística estão ligados aos interesses do Brasil, destacou. O executivo disse que, diante da importância do Brasil para as montadoras, a recessão do País certamente vai aparecer nas contas dos grandes fabricantes.
Durante uma disputada entrevista com centenas de jornalistas de todo o mundo, a direção da Peugeot também apontou o Mercosul entre as três prioridades da companhia para o seu plano de crescer fora da Europa. A primeira região prioritária apontada foi o Irã, onde as vendas da companhia quadruplicaram, passando de 8.600 unidades em 1996 para 36 mil este ano.
No Mercosul, o volume de carros da marca saltará de 61 mil em 1997 para 75 mil este ano. A Europa Central é a terceira prioridade da empresa. Temos feito muitos esforços no Brasil, disse o diretor-geral da Peugeot, Frederic Saint-Glours, explicando a respeito da fábrica que será construída em Porto Real (RJ), num investimento de mais de US$ 600 milhões, além de mais US$ 400 milhões em logística e rede de concessionários.
Podemos esperar uma queda de mercado. Mas isso não colocará em perigo nossos investimentos porque estamos conscientes de que esta economia tem altos e baixos. Só espero que no ano 2000, ao inaugurarmos nossa fábrica, o País esteja passando por um momento de alta, destacou o presidente da PSA - o grupo que reúne Peugeot e Citroen - Jean-Martin Folz.


