Crise na Valcoop motiva parceria com Corol
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sexta-feira, 23 de agosto de 2002
Benê Bianchi<br> Reportagem Local 
Londrina A precariedade das estruturas e incapacidade de investimento foram os motivos principais que levaram a Cooperativa Agropecuária Vale do Tibagi (Valcoop) a firmar um contrato de parceria com a Cooperativa Agropecuária Rolândia (Corol). O presidente da Valcoop, Wilson Pan, informou ontem que as negociações entre as cooperativas tiveram início no final do ano passado e que a busca de uma saída para a situação da empresa que preside já vinha sendo discutida pela atual direção desde que assumiu, em março do ano passado. A oficialização da parceria foi anunciada anteontem.
''Verificamos que a cooperativa tinha alguma fragilidade, tinha perdido muito da confiabilidade do cooperado e tinha dificuldade de lhe prestar um bom atendimento'', destacou Pan. Entre as precariedades apontadas por ele estão a incapacidade de oferecer aos cooperados preços competitivos de insumos, pouco poder de barganha, por se tratar de uma empresa pequena e estrutura operacional precária.
Mesmo com as dívidas recompostas a direção não informou de quanto a Valcoop não possuía capacidade de endividamento para adequar suas estruturas. ''Nos últimos dez anos, a cooperativa não se modernizou. Precisaríamos de quatro ou cinco anos para poder oferecer a estrutura condizente aos cooperados, mas não temos recursos para isso'', disse Pan.
Ele informou que a direção da Valcoop chegou a conversar sobre uma possível parceria com a cooperativa Integradas. ''Mas foram contatos superficiais. Quem realmente se interessou pelo negócio foi a Corol.'' A pareceria, na avaliação de Pan, vai fortalecer o cooperativismo na região e beneficiar, principalmente os cooperados da Valcoop. ''O atendimento que não podemos oferecer, a Corol oferecerá aos cooperados e sem que precisem pagar a taxa de entrada na cooperativa'', informou.
Pan confirmou que a parceria é apenas o início do processo de integração das cooperativas e que a Valcoop deixará de existir assim que todos os seus compromisso forem honrados. A cooperativa continuará existindo enquanto pessoa jurídica e a previsão do presidente da Corol, Eliseu de Paula, é que toda a incorporação demore até cinco anos. ''A Valcoop tem passivos de vencimento de longo prazo que não compensa serem pagos agora'', justificou.
Eliseu de Paula informou também que não houve desembolso da Corol neste momento. A cooperativa rolandense vai pagar em torno de 1% da produção da região em que a Valcoop atua, a título de arrendamento das suas estruturas. Será com esse dinheiro, segundo Eliseu de Paula, que a Valcoop deverá colocar a casa em ordem, pagando suas contas ao longo do tempo.
No próximo dia 3 de setembro, a Valcoop fará uma assembléia com os associados para repassar a eles todos os detalhes da parceria.


