Crise na Rússia derruba bolsas no mundo
Crise na Rússia derruba bolsas no mundo
Bolsa de São Paulo recuou 6,44%, a maior baixa desde novembro, o que anulou a rentabilidade acumulada no ano
Agência Estado
France PresseDia nervosoOperadores da Bovespa, ontem: reação emocional ao furacão russoO mercado de ações mergulhou forte ontem. A Bolsa de São Paulo chegou a recuar 8,22% e fechou o pregão com baixa de 6,44%, a maior num só dia desde 12 de novembro, que cortou o desempenho no ano a uma valorização residual de apenas 0,08%. A do Rio de Janeiro caiu 6,40% e apura variação negativa de 6,13% desde o início do ano. A desvalorização acumulada no mês foi ampliada para 12,61% em São Paulo e 14,95% no Rio.
A pressão de baixa teve como fonte a instabilidade financeira na Rússia, onde a Bolsa caiu nada menos de 11,80% e as taxas de juros de 15 a 30 dias avançaram de 40% para 50%. O tombo da Bolsa russa refletiu as vendas principalmente dos fundos de investimento, como reação ao artigo do The Wall Street Journal, de que a Rússia poderia ser o próximo país, entre os chamados emergentes, a entrar em colapso. A elevação dos juros seria uma tentativa de evitar uma fuga de capital estrangeiro do país.
Embora tenha apurado a maior baixa, depois da russa, as bolsas brasileiras não recuaram sozinhas. Entre as asiáticas, a de Jacarta teve a queda mais elevada, de 4,19%; na Europa, a Bolsa de Frankfurt fechou em queda de 0,93% e a de Paris, de 1,13%; entre as latino-americanas, a de Buenos Aires caiu 4,78% e a da Cidade do México, 2,94%. A Bolsa de Nova York fechou com baixa de 0,50% ou perda de 45,09 pontos, em 9.050,91 pontos.
O volume movimentado na Bolsa de São Paulo foi de R$ 704,350 milhões, boa parte referente a vendas de tesourarias dos bancos, segundo operadores. A queda do mercado teria sido reforçada pela venda de ações de Telebrás adquiridas na sexta-feira, na esteira da notícia de liberalização do capital estrangeiro na privatização da estatal. Pressionaram as vendas nas Bolsas ainda, apontaram, os boatos de que a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) estaria liquidando compulsoriamente contratos de instituições em dificuldades financeiras.
Segundo o sócio-diretor da Vértice Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), Isaac Michaan, o mercado recuou além da conta em reação puramente emocional. Não há razão para uma queda tão forte, já que os fundamentos macroeconômicos do País e das empresas em geral estão bem. Ele sugere cautela aos pequenos e médios aplicadores que estão com investimento em ações, apostando na virada das Bolsas com a privatização de Telebrás.
O mercado de juros também não escapou à turbulência provocada pelo furacão russo. O efeito, desta vez, não se limitou ao salto dos juros embutidos nos contratos futuros. Também as taxas de juro dos CDB estiveram pressionadas. O juro futuro de contratos com vencimento em agosto, que reflete a expectativa de Taxa Básica do Banco Central (TBC) a ser definida na quarta-feira para valer no período entre 21 de maio e 14 de junho, chegou a ser estimada em 30% ao ano, bastante superior à de 23,25% em vigor.
A expectativa estará voltada hoje à reunião do Fed (banco central norte-americano) que vai definir os rumos da política monetária nos EUA. Uma eventual alta dos juros básicos seria desfavorável aos mercados de ações, mas essa possibilidade parece afastada, pois um reajuste dos juros poderia agravar ainda mais a crise financeira mundial.





