Curitiba Os 2 mil funcionários da fábrica da Parmalat em Carambeí, no Centro-Sul do Paraná, estão preocupados com a manutenção de seus empregos. Embora a companhia afirme que as empresas do grupo italiano no Brasil são independentes, com diretoria e fornecedores próprios, os empregados temem por algum tipo de consequência.
A matriz da Parmalat, na Itália, caminha para a concordata após a descoberta de fraude contábil, um das maiores da Europa. O escândalo, que desvendou um rombo superior a 10 bilhões de euros só é comparável à fraude da norte-americana Enron.
A Parmalat se instalou no Paraná em 1997, no município de Carambeí, após comprar 51% das ações da indústria de laticínios e frigorífico pertencente à Cooperativa Batavo, controlada pela colônia holandesa na região. A multinacional ampliou sua participação na indústria e comprou a marca Batavo. Ultimamente, a Parmalat opera só laticínios, após repassar o setor de carnes para a Perdigão.
No mercado de ações brasileiro, os papéis da Parmalat sempre foram pouco negociados e revelam baixa liquidez. As ações ordinárias (ON) só tiveram quatro negócios desde 1999. E as ações preferenciais (PN), apenas dois negócios desde dezembro de 2001. Isso revela que a empresa optou pela concentração de seu capital para ter mais controle nas decisões, informou o analista Fernando Fricks, da corretora Espirit, de Curitiba.
De acordo com o analista Wilson Paese, da corretora Omar Camargo, as negociações com ações da Parmalat estão suspensas no Brasil. Mesmo assim em períodos de crise, aparecem mais compradores que vendedores de ações. Paese informou que existem ofertas para compra de um milhão de ações a R$ 5 o lote de mil. E também têm vendedores (acionistas minoritários) dispostos a vender 10 mil ações a R$ 1 mil. Mas não foram fechados negócios.
A assessoria da Parmalat no Brasil informou que a empresa não está se pronunciando sobre a crise financeira do grupo na Itália.

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