Curitiba - A crise econômica que afeta a Grécia e a zona do euro não deve trazer reflexos significativos para o Brasil e também não resultará em impactos devastadores como a crise americana de 2008 quando ocorreu a quebra de grandes bancos e empresas. O problema na Grécia hoje está centrado em questões fiscais e de insuficiência de receita no País.
''Esta crise da Grécia não tem o poder de contaminar o mundo todo e nem de quebrar a Europa'', disse o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço. No entato, ele não descarta uma possível revisão dos critérios para que os países façam parte da zona do euro. Hoje, os países que estão neste grupo não podem ter um deficit público superior a 3% do PIB por mais de dois anos consecutivos, o que não acontece na prática. ''Os critérios precisam ser mais rigorosos'', disse.
Ele acredita que a saída da Grécia da zona do euro seria benéfica por um lado porque retiraria um país que está em desencontro com a meta de economia estável. Por outro lado, a Grécia entraria em uma depressão profunda, o cenário seria catastrófico e precisaria ter uma moeda própria. Para os outros países da comunidade europeia seria assumir uma espécie de atestado de falta de credibilidade. Por este motivo, ele acredita que a Europa deve fazer o possível para manter a Grécia no grupo.
O Brasil vem se adaptando aos poucos para uma recessão no mundo com o fortalecimento gradual do mercado interno. Entre as medidas tomadas neste sentido estão a redução dos juros, a ampliação do crédito, o controle da inflação e o emprego em alta.
''Neste momento seria difícil o Brasil ser atingido pela crise da Grécia. O País tem política econômica para fortalecer o mercado interno'', afirmou. Ele acredita que pode haver algum reflexo nas exportações brasileiras para a Europa. Por enquanto, o efeito mais imediato é no mercado cambial e também tem uma pitada de efeito especulativo.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, disse que seria difícil de mensurar as consequências diplomáticas e fiscais de uma possível saída da Grécia da zona do euro. Segundo ele, ainda não houve impacto para as indústrias paranaenses. Ele prevê que os reflexos para o setor industrial não sejam muito significativos.
O analista de investimentos da consultoria Inva Capital, Raphael Cordeiro, também concorda com a opinião de Lourenço de que a crise da Grécia não deve ser pior que a crise americana de 2008. Ele lembrou que os gregos já tiveram o perdão de uma parte da dívida (hoje estimada em 100 bilhões de euros) e aportes da União Europeia.
Cordeiro também não acredita que esta crise possa representar o fim do euro e prevê que se a Grécia não fizesse mais parte do grupo seria um caos para este país. No entanto, este tipo de decisão enfraqueceria o euro politicamente, mas o fortaleceria economicamente. Ele acredita que a zona do euro correria risco se saíssem países como Espanha, Itália e França.
''Se a crise parar na Grécia não vai trazer maiores problemas para o Brasil'', disse. Para ele, os brasileiros serão afetados se a crise atingir mais fortemente outros países da Europa.

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