Crise na campanha eleitoral frustra a indústria de brindes
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de agosto de 1998
Pedro Livoratti 
A campanha eleitoral já foi a safra para muitos prestadores de serviços e fabricantes de brindes, bonés, camisetas e todo o tipo de objeto que marcasse bem na memória do eleitor o nome dos candidatos. Até poucos anos atrás, o período de propaganda política era sinônimo de oportunidade de ganhar dinheiro extra, movimentando um mercado vultuoso. Empresários preparavam os estoques e ampliavam os seus quadros de pessoal. Mas tudo indica que esses tempos de fartura fazem parte do passado. Faltando menos de 60 dias para o primeiro turno das eleições deste ano, fábricas e profissionais da área de propaganda confirmam uma campanha pobre e com investimentos menores do que os esperados.
Em Apucarana, a capital nacional do boné, os maiores fabricantes estão tendo encomendas muito inferiores em relação às eleições de 1994, quando os brasileiros elegeram governador, senador, deputado federal e estadual. O curioso é que a grande maioria dos contratos já fechados são com candidatos de outros estados. Também em comparação a pleitos anteriores, uma procura bem menor está sendo registrada nas gráficas, agências de propaganda e fábricas de brindes da região de Londrina. Mas muitos empresários ainda têm esperanças de que os candidatos animem-se na última hora e invistam em propaganda política.
Novos negócios podem ser fechados daqui até os próximos 15 dias, espera o gerente da Bonestampa Indústria e Comércio de Bonés Ltda, de Apucarana, Odilon Aparecido Menofi. A empresa atendeu há um mês o candidato ao governo de São Paulo, Paulo Maluf (PPB), que encomendou 1,5 milhão de bonés em quatro empresas de Apucarana, parte desta produção em sua fábrica. Da mesma forma ele recebeu encomendas entre 15 mil e 50 mil unidades para candidatos de Belo Horizonte, Cuiabá, Porto Alegre e São Paulo. Nos próximos dias, espera fechar um contrato com um candidato ao governo do Paraná.
Com a experiência de outras eleições, Menofi não tem dúvidas. Para ele, os candidatos estão mais pobres este ano. É a realidade brasileira; podemos ver que existe grande dificuldade em todos os segmentos, justifica. Esta falta de recursos geral, entende o empresário, acaba afetando as campanhas políticas. Como comparativo, ele cita que, em 1994, o então candidato FHC encomendou 170 mil bonés em sua fábrica. Este ano, apesar do presidente já ter disparado a campanha pela reeleição, até agora nenhuma encomenda foi feita.
O gerente de vendas da Kicker Bonés Promocionais, Cláudio Stefani, diz que esta é a mais pobre de todas as campanhas eleitorais. Ele atua no ramo há mais de 10 anos. Com a esperança de aquecimento nas próximas semanas, o gerente diz que nas eleições anteriores os candidatos providenciavam a propaganda com mais antecedência. Segundo Stefani, a Copa do Mundo e a o calendário eleitoral apertado - só no final de junho os candidatos tiveram seus números de inscrição definidos - acabaram prejudicando a propaganda.
O proprietário da Jovemplast, de Astorga, Luís Pereira da Silva, que oferece uma gama de produtos feitos em material plástico, como porta-títulos, porta-moedas e porta-lixas, diz que sentiu ligeiro aquecimento nos últimos 20 dias. Mas também acha que, nesta eleição, os candidatos trabalham com orçamentos baixos. De acordo com Pereira da Silva, em relação à eleição de 94 houve uma redução de 75% no total de negócios. O que fechamos foram apenas pequenas encomendas. Ele diz, no entanto, que conseguiu uma bom contrato com um candidato a deputado federal de São Paulo: 3 milhões de porta-títulos. Para o empresário, a situação financeira obriga os políticos a planejarem melhor suas campanhas. Todos estão conscientes que não é só com brindes que se ganha uma eleição, conclui.


